segunda-feira, 30 de abril de 2012

:)

Não tenho assim grandes novidades... não sei quanto peso, nem quero saber; tenho comido de tudo um pouco, sem restrições; explicações estão a correr bem (época de testes dos miúdos, ando aterefada!), esta semana dois deles têm testes, vamos lá ver se servi para alguma coisa hehehe; tenho sido útil (ou pelo menos sinto-me assim). Resumindo, sinto-me extraordinariamente bem :D

O que está menos bem? "Talvez" o facto de me ter apercebido que a semana académica começa já esta 5ª feira, ou seja, no próximo domingo fará 4 anos. Para piorar um bocadinho, não tenho consulta tão cedo... confesso que no início fiquei muito, mas mesmo muito ansiosa, o que se reflectiu na alimentação. Mas já comecei a acalmar. "Faz 4 anos, sim. E depois? Vais-te marterizar mais ainda? Não vale a pena. E não vais fugir. Se alguém te convidar para lá ir, vais. Mesmo que seja no sábado à noite. Os medos superam-se enfrentando e não evitando. Não vais fazer de propósito para lá ir (porque não consigo), mas se te convidarem, não vais voltar a recusar. Já chega. Vive, Inês! Vive!"
Afinal de contas, a probabilidade de isto acontecer novamente é quase nula :)

Mudando de assunto: Hoje fiz duas receitas novaaaaaaaas!!! Fiz barrinhas de cereais (ideia da Joana) e um bolo/pudim!!! As barrinhas ficaram óptimas (mais ninguem gostou, mas também sou a única que gosta de barrinhas de cereais cá em casa!), mesmo tendo inventado a receita xD
Quanto ao bolo/pudim: AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! A MELHOR COISA DE SEMPREEEEEEEEEEEEEE!!!!!! AMEI AMEI AMEI!!!


Bolo de chocolate/pudim de leite condensado

Acho que não tenho mais novidades... Já disse que me sinto bem? :)
**************

terça-feira, 24 de abril de 2012

Time to grow up! - consulta

E lá se passou mais uma consulta.
Correu muitíssimo bem.

Começei por ouvir elogios por ter mantido novamente o peso. Aliás, perdi 200gr, mas é praticamente o mesmo que manter lol (47.600). Não sei bem como tenho conseguido este feito, porque tenho comido bastantes doces, mas não quero pensar nisso, portei-me bem, comi quando quis e o que quis e estou orgulhosa de mim mesma :)

Depois contei que estou a dar explicações às irmãs do coiso e ela não ficou lá muito contente por eu própria me ter oferecido e, ainda por cima, não estar a receber nada. No entanto, achou "menos grave" grave aqui não será o termo mais adequado, mas azar) quando lhe contei que a convidei para tomar café... Se calhar até tem razão, não sei ainda. Tenho de pensar melhor nisso. Até chegar a uma conclusão, vou continuar com as explicações (já me comprometi) mas nada mais. Nada de aproximações, pelo menos enquanto não perceber exactamente o que quero fazer em relação a isto tudo. Parece-me uma boa decisão :)

Acho que não falámos assim mais nada que considere relevante focar aqui, a não o facto de ter finalmente admitido que nem sempre tomo a medicação (aviso desde já que este diálogo não foi assim, apenas acho mais complicado pôr isto em texto... vou tentar dar uma ideia de como foi):

"Porquê?"
Eu: "Porque finjo que me esqueço. Lembro-me sempre, mas nem sempre os tomo, porque me "aborrece" ir até à cozinha, ou, quando lá vou, "aborrece" encher um copo de água..."
"Com que frequência tomas?"
Eu: "Depende..."
"Isso não me diz nada... hoje tomaste?"
Eu: "Não... e ontem também não... no sábado também não... agora que penso nisso, há alguns dias que não tomo"
"Mas porque achas que fazes isso?"
Eu: "Sei la, porque tenho medo de ficar boa? Mas foi sempre assim, nunca fui muito certa com a medicação..."
"Sempre assim? Desde que vens cá?"
Eu: "Sim! Quero dizer, menos quando era a minha mãe que controlava a minha medicação" (por causa das overdoses frequentes lol)
"Ahhhhhhhhhhhhhhh! Então precisas da mamã para tomar a medicação certinha? Tenho de pedir ajuda à tua mãe?"
Eu: (Envergonhada) "Não, não! Eu vou tomar! Ou pelo menos tentar!"
"Hoje já não dá, não é? Não deves ter aí na mala..."
Eu: "Tenho! Ando sempre com eles, porque sei que me "esqueço""
"Então vais tomar agora!" (levanta-se)
Eu: "Não é preciso!! Eu prometo que tomo!!"
(sai do gabinete, enquanto morro de vergonha. Regressa com um copo de água. Eu tomo-os, cheia, mas cheia de vergonha)
"Acho que não te vou massacrar mais com este assunto, acho que já percebeste bem onde quis chegar"
Eu: "sim... já tenho 25 aninhos, se calhar está na altura de crescer..."
"Pois... se calhar está!"

Depois marcámos a consulta para daqui a 3 semanas. "Inês, eu vou-te dar um voto de confiança! Se me voltares outra vez maluca, não sei que te faço!!" (atenção, isto foi dito num ambiente descontraído e em tom risonho! Não senti, de forma alguma que me estivesse a chamar de maluca lol tal como toda a consulta em si, ela foi sempre muito querida, nunca, jamais agressiva... espero nao ter transmitido a ideia errada).

Ah, é verdade! Ontem tive a tal conversa com o meu tio. Foi um momento mesmo positivo. Senti-me menos louca e acho que ele também. Afinal, "não somos os únicos... não somos tão disfuncionais assim e a culpa não é nossa, é dos genes!" LOOOL prefiro pensar assim, sinto-me melhor :D

Ai, já chega de escrever! Vou dormir porque amanhã de manhã vou dar explicação à minha priminha!! Beijinhos a tod@s e façam-me o favor de serem felizes!!!!!!!!! É TÃO BOM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


sábado, 21 de abril de 2012

Viva. E bem viva :)

Tenho andado tão ocupada que me tenho ausentado um bocado destes lugares.

Como já tinha dito, comecei a dar explicações de Língua Portuguesa a um miúdo do 7ºano. Já teve positiva num teste.
Além dele, comecei a dar explicações às irmãs da namorada do estupor. Uma está no 7º ano (ainda não sei a que lhe vou dar explicação...talvez um pouco de tudo), a outra está a tirar um curso profissional (animadora sei-lá.do-quê, tem 15 anos) e vou ajudá-la em psicologia. Já tive um dia com a mais pequena e correu bem. É inteligente e divertida. Ainda não tive com a outra, porque desmarcou.
Estou também a ajudar a minha prima que teve 5 negativas no 2º período. Está no 8º ano e o meu tio ligou-me há uns dias a pedir ajuda. Tenho estado com ela quase todos os dias e parece-me que está a melhorar a matemática (onde nos temos focado).

Hoje estive com ela (prima) a tarde quase toda. Estudámos matemática, fomos lanchar, ver lojas de roupa/vernizes, voltámos a estudar matemática, jantámos, arranjei-lhe as sobrancelhas. Depois convidámos o pai dela (meu tio) para ir ao café, por volta das 22h. Aliás, não convidámos... simplesmente dissemos "vamos os 3 ao café" lol
Segundo o meu pai (irmão do meu tio), o meu tio está com uma depressão em cima. E hoje no café tive a certeza disso. De forma indirecta, ele pediu-me ajuda. Evitei falarmos sobre isso à frente da miúda e combinei café amanhã com ele quando ela estiver a fazer os trabalhos de casa que lhe mandei.
De acordo com os meus pais, este lado da família (ou seja, família paterna) tem assim umas tendências para problemas mentais (e por sorte eu saio a esse lado da família, não só a nível físico, como psicológico). Parece que um meu avô ou bisavô paterno, sei lá, tinha fobias e tendências depressivas também.
Nem quero pensar no que o meu tio está a sentir neste momento. Amanhã vou tentar ajudá-lo. Não sei bem como, mas uma coisa é certa, ele não está sozinho, eu consigo compreender sem o julgar.

Mais coisas...

Peso: 48kgs certinhos hoje de manhã. Estou bem com isso. Não tenho passado fome nem tenho tido compulsões. Tenho exagerado muitas vezes, é verdade, mas azar. Não me vou massacrar por causa disso.
Segunda-feira consulta com psicóloga. Vou pedir para espaçar as consultas. Não sei se estou pronta, mas tenho de estar. As coisas não estão fáceis a nível financeiro e tenho de dar esta boa notícia aos meus pais. Bem precisam de uma boa notícia. E eu também. Tenho de me mentalizar que tenho de cortar o cordão umbilical das idas às consultas... E acho que já consigo começar a fazer o desmame :)

Tenho saído com amigos, tenho convivido com gosto.

Uma professora, no outro dia, enviou-me um e-mail a pedir ajuda para continuar a investigação que começámos o ano passado. Vocês já não se devem lembrar, mas o ano passado tive uma cadeira que consistia em participar num projecto de investigação (esta cadeira era opcional). Eu lá escolhi a professora e o tema (basicamente um estudo sobre influência dos factores péri e pré natais nas dificuldades de aprendizagem em alunos do 4º ano de escolaridade) e terminei a cadeira com 18 valores. No entanto, a professora gostava de apresentar alguns resultados da investigação (somos um grupo em portugal e outro em espanha, é fixe :P) numa conferência que vai haver daqui a uns dias. Mas para tal, precisa de ajuda.
E eu não consegui dizer que não. Abalei de casa, fui para a universidade (1ª vez este semestre) e lá tive uma reunião com ela e mais algumas colegas de curso. Regressei a casa com uma quantidade absurda de questionários (alguns dos muuuuuitos questionários que fiz e andei a distribuir por escolas primárias no ano passado) para inserir no spss. Adoro adoro adoro.

Todos os dias tenho tido explicações para dar e agora mais isto da universidade (que faço porque quero, não sou obrigada. Claro está que quero ter o meu nome na investigação, daí o me estar a dedicar tanto hehehe é bom para o currículo). Sinto-me bem. Sinto-me útil, sinto-me inteligente e motivo de orgulho.

Estou bem, estou feliz. Não estou curada, mas sinto-me bem. Finalmente.


sexta-feira, 13 de abril de 2012

snif!

Estou toda ranhosa por vossa causa.
Ler os vossos comentários fez-me sorrir e chorar. Mas um choro de alívio, sabem? Sei tudo o que disseram e concordo plenamente. Mas sabe sempre bem que me relembrem que apesar de difícil, vale a pena. Sabe sempre bem receber elogios, venham eles de onde venham.
Obrigada a todas. Obrigada pela força, obrigada por me ajudarem a sair desta bosta. Obrigada.
**********************************

Hoje.

Não sei lá muito bem descrever o que vai cá dentro hoje. Acho que é um mix de várias coisas. Vamos lá então tentar perceber-te, Maria Inês (nao, nao me chamo Maria Inês).

Vou pôr isto um bocado por tópicos e depois tentar avaliar e chegar a uma conclusão. Pode ser que resulte, vamos lá ver.

Tive consulta hoje (psicóloga). Pesei-me antes e deu 47.800. Não sei bem o que achei do peso, fiquei contente por ser menos de 48 e fiquei irritada/desiludida/sei-lá porque estava lá um papel de uma outra gaja qualquer que tinha 39.900. Escusado será dizer que estavam lá mais 3 ou 4 pesos (todos superiores ao meu) mas que só me fixei nesse, porque era mais baixo que o meu.

Ela chegou atrasada (algo raro) e acho que me irritou um bocado, porque ja tinha coisas combinadas para depois e isso ia atrasar tudo. Ou então estou a inventar desculpas, porque na realidade devo ser tão egocêntrica que achei que ela às 11h tinha de parar tudo para me ir dar consulta. Mas é mais bonito fingir que não sei o que me vai na cabeça ou inventar outra desculpa.

Falámos o tempo todo sobre o tal assunto. Claro. Mandei aquela mensagem é óbvio que esse ia ser o tema primordial. Mas não só foi o principal como foi o único. Só me apetecia gritar NÃO QUERO FALAR SOBRE ISSO. Mas aguentei firme, porque não posso fugir mais a isto. Quero realmente saber/conseguir lidar com isto.

Ah, uma coisa na consulta que me irritou. Aliás, na altura não, mas levei o dia todo a remoer no assunto. Logo quando entrei para o gabinete, ela não tirou os olhos das minhas pernas. Não estou a exagerar. Primeiro pensamento "Sim, engordei para caraças...podias é ser mais discreta". Segundo pensamento "Ah, se calhar não é isso...as calças estão-me a cair, deixa lá puxar para cima". Ao que ela intervém e diz "E esse peso, Inês?" Disse o peso, viu que tinha aumentado praticamente 2kgs e perguntou o porquê. "Acho que me tenho descontrolado um bocadinho" (entrou aqui o tal assunto). Quando cheguei a casa perguntei à minha mãe se as calças me ficavam mal, ou se me faziam mais magra ou que se notava muito que tinha aumentado de peso (expliquei o porquê da pergunta, senão ela ainda ia pensar que o sentido seria outro). Eu juro que achava que ela ia dizer que o me estarem largas na cintura não me favorecia, ou assim... mas ela respondeu com um "é que são justas, sabes...ficam-te bem, mas são justas..." "ah, então nota-se que engordei, é isso?" ela engasga-se (coitada...) ao que eu a acalmo "não é que eu esteja gorda, porque de gorda não tenho nada! Mas aumentei de peso e fiquei sem saber se a dra. F. ficou a olhar tão discaradamente por as calças me estarem largas na cintura ou se se notava assim tanto que tinha aumentado de peso, mais nada!" Com esta resposta vi que ela acalmou. Resumindo esta parte: estou irritada porque ela reparou que eu engordei. Não tanto por isso, mas por ter feito aquele ar... ai nao sei explicar.... sou parva, é o que é x)

Saí da consulta como entrei, ou seja, bem. Fui comer, porque o estômago já roncava. Maçã; galão e queque de nozes (sei que não é a escolha mais saudável, mas tinha tão bom aspecto que não resisti. Não stressei com nada, soube bem)  Fui ver se apanhava o autocarro para Faro das 13h, mas já não dava. Tive de esperar pelo das 15h. Entretanto bebi outro galão e comi uma sandes de fiambre e comprei um livro ("Édipo és tu!" é escrito por um pedopsiquiatra francês, estou a adorar! Estou quase no fim). Apanhei o bus e vim a ler o livro e a comer 2 pacotes de m&m's. Extremamente saudável, eu sei.

Cheguei a Faro. 1 maçã e 1 iogurte. Depois fui a conduzir para olhão e fomos jantar à do meu padrinho. pfffffffffffffffffffffffffffffff ia-me vomitando de tanto comer (não estou a exagerar). Tornei-me extrovertida assim do nada e quanto mais alegre aparentava, mais nervosa ficava (porque não parava de comer) e mais falava e mais comia e mais ria e por aí fora.

Vim a conduzir para Faro e quando dei por mim estavamos a dar boleia ao estupor. Enervei-me e só fiz merda na condução. lol.
Vim para casa e agora sinto-me irritada, ansiosa, com vontade de comer tudo mas com pensamentos como "tenho de perder peso até à consulta".

Ai já chega. Não quero pensar mais hoje. Ia fazer um apanhado disto tudo para tentar perceber o porquê de estar assim, mas fartei-me. Tenho fome. Quero emagrecer. Quero tudo e não quero nada. Não estou triste nem deprimida, sinto-me cansada hoje. Não quero passar pelo mês de Maio. Podemos passar para Junho, já? Aliás, podemos saltar já uns aninhos? Não me lembro de grande parte destes últimos anos, portanto mais uns quantos sem me lembrar também não faz diferença...

Pára, Inês. Respira. Está tudo bem. Tens todo o direito de estar irritada. Já deste a entender hoje que não te podem pressionar. Aliás, foste bastante directa. Não magoaste ninguém, mas foste sincera. Linda menina. Continua assim. Vá, não stresses. Estás a ir bem, não desistas agora :)

(desculpem a bosta de post, mas estava a precisar escrever assim, sem fazer sentido. amanha releio e pode ser que descubra aqui alguma coisa importante.)

Boa noite **

terça-feira, 10 de abril de 2012

The Little Soul and the Sun


 
Era uma vez, em tempo nenhum, uma Pequena Alma que disse a Deus:
— Eu sei quem sou!
E Deus disse:
— Que bom! Quem és tu?
E a Pequena Alma gritou:
— Eu sou Luz
E Deus sorriu.
— É isso mesmo! — Exclamou Deus. — Tu és Luz!
A Pequena Alma ficou muito contente, porque tinha descoberto aquilo que todas as almas do Reino deveriam descobrir.
— Uauu, isto é mesmo bom! — Disse a Pequena Alma.
Mas, passado pouco tempo, saber quem era já não lhe chegava. A pequena Alma sentia-se agitada por dentro, e agora queria ser quem era. Então foi ter com Deus (o que não é má ideia para qualquer alma que queira ser Quem Realmente É) e disse:
— Olá Deus! Agora que sei Quem Sou, posso sê-lo?
E Deus disse:
— Quer dizer que queres ser Quem já És?
— Bem, uma coisa é saber Quem Sou, e outra coisa é sê-lo mesmo. Quero sentir como é ser a Luz! — Respondeu a pequena Alma.
— Mas tu já és Luz — Repetiu Deus, sorrindo outra vez.
— Sim, mas quero senti-lo! — Gritou a Pequena Alma.
— Bem, acho que já era de esperar. Tu sempre foste aventureira — Disse Deus com uma risada. Depois a sua expressão mudou.
— Há só uma coisa...
— O quê? —
Perguntou a Pequena Alma.
— Bem, não há nada para além da Luz. Porque eu não criei nada para além daquilo que tu és; por isso, não vai ser fácil experimentares-te como Quem És, porque não há nada que tu não sejas.
— Ahã? —
Disse a Pequena Alma, que já estava um pouco confusa.
— Pensa assim: tu és como uma vela ao Sol. Estás lá sem dúvida. Tu e mais milhões, ziliões de outras velas que constituem o Sol. E o Sol não seria o Sol sem vocês.
“Não seria um sol sem uma das suas velas... e isso não seria de todo o Sol, pois não brilharia tanto. E no entanto, como podes conhecer-te como a Luz quando estás no meio da Luz — eis a questão”.— Bem, tu és Deus. Pensa em alguma coisa! — Disse a Pequena Alma mais animada.
Deus sorriu novamente.
— Já pensei. Já que não podes ver-te como a Luz quando estás na Luz, vamos rodear-te de escuridão — disse Deus.
— O que é a escuridão? Perguntou a Pequena Alma.
— É aquilo que tu não és — Replicou Deus.
— Eu vou ter medo do escuro? — Choramingou a Pequena Alma.
— Só se o escolheres. Na verdade não há nada de que devas ter medo, a não ser que assim o decidas. Porque estamos a inventar tudo. Estamos a fingir.
— Ah! —
Disse a Pequena Alma, sentindo-se logo melhor.
Depois Deus explicou que, para se experimentar o que quer que seja, tem de aparecer exactamente o oposto.
— É uma grande dádiva, porque sem ela não poderíamos saber como nada é — disse Deus — Não poderíamos conhecer o Quente sem o Frio, o Alto sem o Baixo, o Rápido sem o Lento. Não poderíamos conhecer a Esquerda sem a Direita, o Aqui sem o Ali, o Agora sem o Depois. E por isso, — continuou Deus — quando estiveres rodeada de escuridão, não levantes o punho nem a voz para amaldiçoar a escuridão.
“Sê antes uma Luz na escuridão, e não fiques furiosa com ela. Então saberás Quem Realmente És, e os outros também o saberão. Deixa que a tua Luz brilhe tanto que todos saibam como és especial!”— Então posso deixar que os outros vejam que sou especial? — Perguntou a Pequena Alma.
— Claro! — Deus riu-se. — Claro que podes! Mas lembra-te de que “especial” não quer dizer “melhor”! Todos são especiais, cada qual à sua maneira! Só que muitos esqueceram-se disso. Esses apenas vão ver que podem ser especiais quando tu vires que podes ser especial!
— Uau —
disse a Pequena Alma, dançando e saltando e rindo e pulando. — Posso ser tão especial quanto quiser!
— Sim, e podes começar agora mesmo —
disse Deus, também dançando e saltando e rindo e pulando juntamente com a Pequena Alma — Que parte de especial é que queres ser?
— Que parte de especial? —
Repetiu a Pequena Alma. — Não estou a perceber.
— Bem, —
explicou Deus — ser a Luz é ser especial, e ser especial tem muitas partes. É especial ser bondoso. É especial ser delicado. É especial ser criativo. É especial ser paciente. Conheces alguma outra maneira de ser especial?A Pequena Alma ficou em silêncio por um momento.
— Conheço imensas maneiras de ser especial! — Exclamou a Pequena Alma — É especial ser prestável. É especial ser generoso. É especial ser simpático. É especial ser atencioso com os outros.
— Sim! —
Concordou Deus — E tu podes ser todas essas coisas, ou qualquer parte de especial que queiras ser, em qualquer momento. É isso que significa ser a Luz.
— Eu sei o que quero ser, eu sei o que quero ser! —
Proclamou a Pequena Alma com grande entusiasmo. — Quero ser a parte de especial chamada “perdão”. Não é ser especial alguém que perdoa?
— Ah, sim, isso é muito especial,
assegurou Deus à Pequena Alma.
— Está bem. É isso que eu quero ser. Quero ser alguém que perdoa. Quero experimentar-me assim — disse a Pequena Alma.
— Bom, mas há uma coisa que devias saber —
disse Deus.
A Pequena Alma já começava a ficar um bocadinho impaciente. Parecia haver sempre alguma complicação.
— O que é? — Suspirou a Pequena Alma.
— Não há ninguém a quem perdoar.
— Ninguém? A Pequena Alma nem queria acreditar no que tinha ouvido.
— Ninguém! —
Repetiu Deus. Tudo o que Eu fiz é perfeito. Não há uma única alma e em toda a Criação menos perfeita do que tu. Olha à tua volta.Foi então que a Pequena Alma reparou na multidão que se tinha aproximado. Outras almas tinham vindo de todos os lados — de todo o Reino — porque tinham ouvido dizer que a Pequena Alma estava a ter uma conversa extraordinária com Deus, e todas queriam ouvir o que eles estavam a dizer. Olhando para todas as outras almas ali reunidas, a Pequena Alma teve de concordar. Nenhuma parecia menos maravilhosa, ou menos perfeita do que ela. Eram de tal forma maravilhosas, e a sua Luz brilhava tanto, que a Pequena Alma mal podia olhar para elas.
— Então, perdoar quem? — Perguntou Deus.
— Bem, isto não vai ter piada nenhuma! — Resmungou a Pequena Alma — Eu queria experimentar-me como Aquela que Perdoa. Queria saber como é ser essa parte de especial. E a Pequena Alma aprendeu o que é sentir-se triste. Mas, nesse instante, uma Alma Amiga destacou-se da multidão e disse:
— Não te preocupes, Pequena Alma, eu vou ajudar-te —
Disse a Alma Amiga.
— Vais? — A Pequena Alma animou-se. — Mas o que é que tu podes fazer?
— Ora, posso dar-te alguém a quem perdoares!
— Podes?
— Claro! —
Disse a Alma Amiga alegremente. — Posso entrar na tua próxima vida física e fazer qualquer coisa para tu perdoares.

— Mas porquê? Porque é que farias isso? —
Perguntou a Pequena Alma. — Tu, que és um ser tão absolutamente perfeito! Tu, que vibras a uma velocidade tão rápida a ponto de criar uma Luz de tal forma brilhante que mal posso olhar para ti! O que é que te levaria a abrandar a tua vibração para uma velocidade tal que tornasse a tua Luz brilhante numa luz escura e baça? O que é que te levaria a ti, que danças sobre as estrelas e te moves pelo Reino à velocidade do pensamento, a entrar na minha vida e a tornares-te tão pesada a ponto de fazeres algo de mal?
— É simples —
disse a Alma Amiga. — Faço-o porque te amo.A Pequena Alma pareceu surpreendida com a resposta.
— Não fiques tão espantada — disse a Alma Amiga — tu fizeste o mesmo por mim. Não te lembras? Ah, nós já dançámos juntas, tu e eu, muitas vezes. Dançámos ao longo das eternidades e através de todas as épocas. Brincámos juntas através de todo o tempo e em muitos sítios. Só que tu não te lembras. Já fomos ambas o Todo. Fomos o Alto e o Baixo, a Esquerda e a Direita. Fomos o Aqui e o Ali, o Agora e o Depois. Fomos o Masculino e o Feminino, o Bom e o Mau — fomos ambas a vítima e o vilão. Encontrámo-nos muitas vezes, tu e eu; cada uma trazendo à outra a oportunidade exacta e perfeita para Expressar e Experimentar Quem Realmente Somos. — E assim, — a Alma Amiga explicou mais um bocadinho — eu vou entrar na tua próxima vida física e ser a “má” desta vez. Vou fazer alguma coisa terrível, e então tu podes experimentar-te como Aquela Que Perdoa.
— Mas o que é que vais fazer que seja assim tão terrível? —
Perguntou a Pequena Alma, um pouco nervosa.
— Oh, havemos de pensar nalguma coisa — Respondeu a Alma Amiga, piscando o olho.
Então a Alma Amiga pareceu ficar séria, disse numa voz mais calma:
— Mas tens razão acerca de uma coisa, sabes?
— Sobre o quê? —
Perguntou a Pequena Alma.
— Eu vou ter de abrandar a minha vibração e tornar-me muito pesada para fazer esta coisa não muito boa. Vou ter de fingir ser uma coisa muito diferente de mim. E por isso, só te peço um favor em troca.
— Oh, qualquer coisa, o que tu quiseres! —
Exclamou a Pequena Alma, e começou a dançar e a cantar: — Eu vou poder perdoar, eu vou poder perdoar!Então a Pequena Alma viu que a Alma Amiga estava muito quieta.
— O que é? — Perguntou a Pequena Alma.
— O que é que eu posso fazer por ti? És um anjo por estares disposta a fazer isto por mim!
— Claro que esta Alma Amiga é um anjo! —
Interrompeu Deus, — são todas! Lembra-te sempre: Não te enviei senão anjos.E então a Pequena Alma quis mais do que nunca satisfazer o pedido da Alma Amiga.
— O que é que posso fazer por ti? — Perguntou novamente a Pequena Alma.
— No momento em que eu te atacar e atingir, — respondeu a Alma Amiga — no momento em que eu te fizer a pior coisa que possas imaginar, nesse preciso momento...
— Sim? —
Interrompeu a Pequena Alma
— Sim?A Alma Amiga ficou ainda mais quieta.
— Lembra-te de Quem Realmente Sou.
— Oh, não me hei-de esquecer! —
Gritou a Pequena Alma — Prometo! Lembrar-me-ei sempre de ti tal como te vejo aqui e agora.
— Que bom, —
disse a Alma Amiga — porque, sabes, eu vou estar a fingir tanto, que eu própria me vou esquecer. E se tu não te lembrares de mim tal como eu sou realmente, eu posso também não me lembrar durante muito tempo. E se eu me esquecer de Quem Sou, tu podes esquecer-te de Quem És, e ficaremos as duas perdidas. Então, vamos precisar que venha outra alma para nos lembrar às duas Quem Somos.
— Não vamos, não! —
Prometeu outra vez a Pequena Alma. — Eu vou lembrar-me de ti! E vou agradecer-te por esta dádiva — a oportunidade que me dás de me experimentar como Quem Eu Sou.E assim o acordo foi feito. E a Pequena Alma avançou para uma nova vida, entusiasmada por ser a Luz, que era muito especial, e entusiasmada por ser aquela parte especial a que se chama Perdão. E a Pequena Alma esperou ansiosamente pela oportunidade de se experimentar como Perdão, e por agradecer a qualquer outra alma que o tornasse possível. E, em todos os momentos dessa nova vida, sempre que uma nova alma aparecia em cena, quer essa nova alma trouxesse alegria ou tristeza — principalmente se trouxesse tristeza — a Pequena Alma pensava no que Deus lhe tinha dito:
 
         Lembra-te sempre, — Deus aqui tinha sorrido não te enviei senão anjos.

 
Conto de Neale Donald Walsch

domingo, 1 de abril de 2012

1 de Abril.

9h30 acordo. Lembro-me do dia que é e continuo na cama, sem vontade de enfrentar o dia. 12h30 mãe abre a porta, vê que estou acordada "vá, levanta-te lá que preciso da tua ajuda".
Levanto-me e vou para a cozinha "blablabla passas os dias a dormir (QUE MENTIRA!!!!!!!!!) blablabla preciso da tua ajuda e não me ajudas".
Irritada, vou para o quarto. Arrumo o quarto enquanto choro.
Ajudo a arrumar a casa. Almoço e mando msg à M. "Que vais fazer esta tarde?" "Ainda não sei... tens alguma ideia?" "Queria tar um cadinho cntg... hoje é um dia difícil..."

Volto para casa. Mãe pede ajuda para fazer sobremesas e jantar. Recuso-me.
Mãe: "Hás-de pedir-me qualquer coisa! Vais ver!"
Eu: "Vou fingir que não disseste isso."
Distraio-me a fazer a fita de final de curso da M. e a comer chocolates.
Chegam as irmãs da namorada dele. Continuo no meu quarto. Chega a mãe dela. Saio do quarto. Cumprimento toda a gente (ele, ela, duas irmãs dela, irmão dela, mãe dela) e ajudo a pôr a mesa. Sento-me à mesa. Como (ainda enjoada dos chocolates). Aliás, enfardo e não abro a boca para falar. Mãe e pai mandam uma boca de que sou malcriada por não falar com ninguém. Não consigo parar de comer, sinto vómitos e stresso. Vou falando por sms com a M., mas não acalmo. Resolvo mandar sms à psicóloga.
"Boa noite... o filho dos meus pais faz anos hoje. Estamos a jantar. Estou demasiado ansiosa, não páro de ouvir os meus pais dizerem que sou mal educada porque não falo (a casa está cheia da família da namorada dele), não páro de comer e só penso em ir vomitar. Mas não quero. Já tentei de tudo para me acalmar, mas não sei que fazer mais... Gostava de saber o que acha que devo fazer... Talvez esteja a exagerar, mas tenho receio de retroceder... Espero não estar a agir mal em contactá-la... Beijinho"
"Inês, tem calma. É natural que fiques muito irritada em dias como este. Não há nenhuma amiga com quem possas falar?"
(só respondo mais tarde...estava a lavar a loiça)
"Há sim... Antes do jantar estive com ela, para me acalmar... O jantar já terminou, vim dar uma volta e fico melhor. Obrigada pelo apoio, entrei mesmo em pânico...Obrigada. Tenho de trabalhar mais esta parte... Ainda não sei lidar com este assunto... Preciso mesmo que me oriente com isto. Obrigada e até dia 12"
Já eram quase 11 horas, ela não respondeu (ia responder o quê? coitada...)

Estou irritada, nervosa, ansiosa, eu sei lá. Só me apetece chorar de tanta raiva que sinto.
Para melhorar a coisa, o período apareceu hoje. Além disso, já começam a falar na semana académica (quando tudo aconteceu). Odeio esta altura do ano. Odeio, odeio, odeio. Não sei lidar com isto, nem quero. Mas tem de ser. Tenho de me ajudar a mim própria. Não sei como, mas tenho. Não mereço sentir-me assim.
Amanhã é outro dia. Espero sentir-me melhor.
Força, Inês. Muita força.