sexta-feira, 13 de abril de 2012

Hoje.

Não sei lá muito bem descrever o que vai cá dentro hoje. Acho que é um mix de várias coisas. Vamos lá então tentar perceber-te, Maria Inês (nao, nao me chamo Maria Inês).

Vou pôr isto um bocado por tópicos e depois tentar avaliar e chegar a uma conclusão. Pode ser que resulte, vamos lá ver.

Tive consulta hoje (psicóloga). Pesei-me antes e deu 47.800. Não sei bem o que achei do peso, fiquei contente por ser menos de 48 e fiquei irritada/desiludida/sei-lá porque estava lá um papel de uma outra gaja qualquer que tinha 39.900. Escusado será dizer que estavam lá mais 3 ou 4 pesos (todos superiores ao meu) mas que só me fixei nesse, porque era mais baixo que o meu.

Ela chegou atrasada (algo raro) e acho que me irritou um bocado, porque ja tinha coisas combinadas para depois e isso ia atrasar tudo. Ou então estou a inventar desculpas, porque na realidade devo ser tão egocêntrica que achei que ela às 11h tinha de parar tudo para me ir dar consulta. Mas é mais bonito fingir que não sei o que me vai na cabeça ou inventar outra desculpa.

Falámos o tempo todo sobre o tal assunto. Claro. Mandei aquela mensagem é óbvio que esse ia ser o tema primordial. Mas não só foi o principal como foi o único. Só me apetecia gritar NÃO QUERO FALAR SOBRE ISSO. Mas aguentei firme, porque não posso fugir mais a isto. Quero realmente saber/conseguir lidar com isto.

Ah, uma coisa na consulta que me irritou. Aliás, na altura não, mas levei o dia todo a remoer no assunto. Logo quando entrei para o gabinete, ela não tirou os olhos das minhas pernas. Não estou a exagerar. Primeiro pensamento "Sim, engordei para caraças...podias é ser mais discreta". Segundo pensamento "Ah, se calhar não é isso...as calças estão-me a cair, deixa lá puxar para cima". Ao que ela intervém e diz "E esse peso, Inês?" Disse o peso, viu que tinha aumentado praticamente 2kgs e perguntou o porquê. "Acho que me tenho descontrolado um bocadinho" (entrou aqui o tal assunto). Quando cheguei a casa perguntei à minha mãe se as calças me ficavam mal, ou se me faziam mais magra ou que se notava muito que tinha aumentado de peso (expliquei o porquê da pergunta, senão ela ainda ia pensar que o sentido seria outro). Eu juro que achava que ela ia dizer que o me estarem largas na cintura não me favorecia, ou assim... mas ela respondeu com um "é que são justas, sabes...ficam-te bem, mas são justas..." "ah, então nota-se que engordei, é isso?" ela engasga-se (coitada...) ao que eu a acalmo "não é que eu esteja gorda, porque de gorda não tenho nada! Mas aumentei de peso e fiquei sem saber se a dra. F. ficou a olhar tão discaradamente por as calças me estarem largas na cintura ou se se notava assim tanto que tinha aumentado de peso, mais nada!" Com esta resposta vi que ela acalmou. Resumindo esta parte: estou irritada porque ela reparou que eu engordei. Não tanto por isso, mas por ter feito aquele ar... ai nao sei explicar.... sou parva, é o que é x)

Saí da consulta como entrei, ou seja, bem. Fui comer, porque o estômago já roncava. Maçã; galão e queque de nozes (sei que não é a escolha mais saudável, mas tinha tão bom aspecto que não resisti. Não stressei com nada, soube bem)  Fui ver se apanhava o autocarro para Faro das 13h, mas já não dava. Tive de esperar pelo das 15h. Entretanto bebi outro galão e comi uma sandes de fiambre e comprei um livro ("Édipo és tu!" é escrito por um pedopsiquiatra francês, estou a adorar! Estou quase no fim). Apanhei o bus e vim a ler o livro e a comer 2 pacotes de m&m's. Extremamente saudável, eu sei.

Cheguei a Faro. 1 maçã e 1 iogurte. Depois fui a conduzir para olhão e fomos jantar à do meu padrinho. pfffffffffffffffffffffffffffffff ia-me vomitando de tanto comer (não estou a exagerar). Tornei-me extrovertida assim do nada e quanto mais alegre aparentava, mais nervosa ficava (porque não parava de comer) e mais falava e mais comia e mais ria e por aí fora.

Vim a conduzir para Faro e quando dei por mim estavamos a dar boleia ao estupor. Enervei-me e só fiz merda na condução. lol.
Vim para casa e agora sinto-me irritada, ansiosa, com vontade de comer tudo mas com pensamentos como "tenho de perder peso até à consulta".

Ai já chega. Não quero pensar mais hoje. Ia fazer um apanhado disto tudo para tentar perceber o porquê de estar assim, mas fartei-me. Tenho fome. Quero emagrecer. Quero tudo e não quero nada. Não estou triste nem deprimida, sinto-me cansada hoje. Não quero passar pelo mês de Maio. Podemos passar para Junho, já? Aliás, podemos saltar já uns aninhos? Não me lembro de grande parte destes últimos anos, portanto mais uns quantos sem me lembrar também não faz diferença...

Pára, Inês. Respira. Está tudo bem. Tens todo o direito de estar irritada. Já deste a entender hoje que não te podem pressionar. Aliás, foste bastante directa. Não magoaste ninguém, mas foste sincera. Linda menina. Continua assim. Vá, não stresses. Estás a ir bem, não desistas agora :)

(desculpem a bosta de post, mas estava a precisar escrever assim, sem fazer sentido. amanha releio e pode ser que descubra aqui alguma coisa importante.)

Boa noite **

6 comentários:

Filipa disse...

Eu descobri que tu queres muito ser extrovertida, feliz!
Eu sei que é fácil falar, basta ver por mim, mas vamos lá dar uma abanadela e ser felizes?
Beijo grande

Anónimo disse...

Querida Inês
Tu ainda estás tão doente que distorces tudo. 1.º tu não estás a engordar mas a recuperar peso para seres saudável. Tenho a certeza que nunca foste gorda anes da doença. Mas a doença faz-nos pensar isso, é lixada anula-nos, insulta-nos, enche-nos de culpas por algo tãao banal que é comer, que toda a gente - se reparares faz com a maior das naturalidades, como beber quando se tem sede. Claro que somos diferentes, a doença tolda a mente de pensamentos e actos que não são reais, enche-nos de medos. Não nos deixa viver. Tu sabes que tens de ganhar peso, faz parte da recuperação. Nenhum médico te julga. Dºao importância ao peso porque estás doente. A minha psiquiatra explicou-me que só depois de ganharmos peso é que se pode tratar a cabeça. Não te quero aborrecer, mas estou em recuperação há algum tempo e quando a iniciei prometi que nunca mais daria ouvidos à minha cabeça porque ela era uma mentirosa, prometi que ia confiar nos médicos e se quisesse saber a opinião de alguém perguntaria somente à minha mãe que nunca me mente. É difíci mas tens de ter determinação. A doença é fácil, entre aspas. Recuperar não é. Não te vou mentir, mas vale a pena. Sou de uma terra pequena, toda a gente metade da minha vida me viu neste processo, ora bem, gorda, ora doente. Não quero nem me interessa o que os outros dizem. Um dia pesava eu 47kgs, um peso ainda baixo para ser considerada saudável, o meu pai viu-me e mostrou uma alegria desmesurada que até me irritou e disse que estava "tão bem". Enervou-me tanto, mas respirei fundo e respondi-lhe: estou melhor mas ainda aquém de estar bem. Os médicos é que sabem, eles não me querem gorda mas com saúde, na nutricionista trato o problema da comida e do exercício, na psiquiatra a cabeça. Confio nelas mas depois durante o tempo qque medeia as consultas tenho de ser eu a trilhar caminho. Para ficar boa.
Tu não segues nenhum plano alimentar? Na minha opinião é importante seguir um porque a doença ensina-nos só a não comer e o plano faz com que criemos hábitos alimentares saudáveis, que um dia tivemos mas que a doença destruiu...
Gostava de poder falar contigo por outro meio, acho que te queres curar mas esás assustada. Mas se quiseres mesmo consegues. Se precisares de alguma coisa em qualquer momento eu ando por aí...

Ana Victória

Pizza disse...

Olá Pyps...
Gostei muito do comentário da Ana. Fala melhor c ela...
eu às vezes queria tanto ajudar-te mas simplesmente não sei o q dizer.
Peço tanta desculpa a sério...mesmo q não faça os melhores comentários nem os mais motivadores, acredita q leio sempre tudo o q tu escreves e qd venho comentar só queria ter o poder de te dzr alguma coisa q te mudasse por completo... mas nc consigo, não ha nada q eu possa dzr... enfim, sou inutil! :(
espero q percebas q estou aqui msm para o q precisares e q msm sem conseguir quero t ajudar e ver te a melhorar!!!

:)

Joana disse...

Olá Inês :)

O comentário da Ana faz todo o sentido, e eu já te disse várias vezes que se quiseres/precisares estás completamente à vontade para falar comigo, por mail, pelo Facebook, por onde quiseres (eu gostava). No fundo a Ana transmitiu num comentário aquilo que eu também te tenho vindo a transmitir ao longo do tempo. Tu não estás a engordar, estás a recuperar peso, estás a tratar-te.

Eu sei que é difícil pensar que ter peso a menos não é saudável, mas é, e há estudos que defendem que ter peso a menos ainda é mais agressivo para a saúde do que ter peso a mais.

Eu compreendo perfeitamente tudo aquilo porque estás a passar: o medo, a insegurança, a vontade de ficar curada mas o medo outra vez, e quero só dizer-te uma coisa. Tu não estás gorda. Tu não vais ficar gorda. Tu vais ficar saudável e linda. E quando isso acontecer, tu vais tratar a tua cabecinha e um dia vais ficar curada. Como a Ana disse, a doença é fácil. Controlar tudo é tão fácil - o difícil é quando na ânsia de controlar perdes o controlo e não percebes. A recuperação é difícil, sim, não te vou mentir, todo este processo vai ser a coisa mais difícil que tu vais ultrapassar. Lutar contra ti própria, dia após dia, é muito difícil.

Mas garanto-te:

No dia em que lá chegares. Não há nada, não há descrição possível para esse momento. Quando percebes que estás bem. Quando pensas que agora pode vir tudo, que tu vais vencer. Afinal, já conseguiste lutar contra ti própria, o que pode ser mais difícil e mais esgotante do que isso?

Eu sei que é complicado para ti porque tens coisas na tua vida que não estão resolvidas (não sei quais são, mas tu dás a entender isso). Nós não estamos sozinhos no mundo, e para estarmos bem temos de ter tudo bem arrumado na nossa cabeça, mas há situações que não estão dependentes de nós. Mas acredita em mim: no dia em que estiveres bem, todas essas situações vão-te parecer muito menos importantes. Porque tu estás viva e estás curada.

E nesse dia Inês, eu vou estar aqui a dizer-te que sempre acreditei em ti, e que sempre vi em ti a vontade de te curares :) Pensa no quão farta estás de tudo isto: de pensar no peso, de pensar na comida, de pensar nos médicos, de pensar nos problemas. E cura o teu corpo. Com a tua mente preocupas-te depois: afinal, não conseguimos fazer tudo ao mesmo tempo pois não? :)

Para quem só ia dizer uma coisa falei para caraças, desculpa :D

Muitos muitos beijinhos, tem um óptimo fim-de-semana :)

Luah disse...

Para mim fez sentido :P
É aqueles medos todos de quereres parar com esta obsessão que é o peso mas e o que isso implica...

Percebo, embora eu não esteja magra XD
Mantém-te nas consultas e a ter essa força toda que tens, porque enfrentas tudo rapariga! ;)

Ju disse...

Gostei muito de ler a Ana e a Joana, e concordo plenamente. E gostei de te ler. Gosto de partilhes esses sentimentos, que admitas para contigo própria que os tens, porque isso é meio caminho andado. Repito o que já disseram, não estás mais gorda, estás a ficar saudável e bonita, daí a admiração da psicóloga. No entanto, não gostei da atitude dela, está lá para ser neutra e não para te influenciar (ainda mais se for negativamente), devia ter sido mais discreta, mas provavelmente ficou agradavelmente surpreendida com o que viu, portanto vá, vou desculpá-la :P

Já agora, todo o teu post fez sentido!

Estou aqui para te ver recuperar e a ganhar cada vez mais sorrisos :)

Um beijo grande e força*