terça-feira, 10 de abril de 2012

The Little Soul and the Sun


 
Era uma vez, em tempo nenhum, uma Pequena Alma que disse a Deus:
— Eu sei quem sou!
E Deus disse:
— Que bom! Quem és tu?
E a Pequena Alma gritou:
— Eu sou Luz
E Deus sorriu.
— É isso mesmo! — Exclamou Deus. — Tu és Luz!
A Pequena Alma ficou muito contente, porque tinha descoberto aquilo que todas as almas do Reino deveriam descobrir.
— Uauu, isto é mesmo bom! — Disse a Pequena Alma.
Mas, passado pouco tempo, saber quem era já não lhe chegava. A pequena Alma sentia-se agitada por dentro, e agora queria ser quem era. Então foi ter com Deus (o que não é má ideia para qualquer alma que queira ser Quem Realmente É) e disse:
— Olá Deus! Agora que sei Quem Sou, posso sê-lo?
E Deus disse:
— Quer dizer que queres ser Quem já És?
— Bem, uma coisa é saber Quem Sou, e outra coisa é sê-lo mesmo. Quero sentir como é ser a Luz! — Respondeu a pequena Alma.
— Mas tu já és Luz — Repetiu Deus, sorrindo outra vez.
— Sim, mas quero senti-lo! — Gritou a Pequena Alma.
— Bem, acho que já era de esperar. Tu sempre foste aventureira — Disse Deus com uma risada. Depois a sua expressão mudou.
— Há só uma coisa...
— O quê? —
Perguntou a Pequena Alma.
— Bem, não há nada para além da Luz. Porque eu não criei nada para além daquilo que tu és; por isso, não vai ser fácil experimentares-te como Quem És, porque não há nada que tu não sejas.
— Ahã? —
Disse a Pequena Alma, que já estava um pouco confusa.
— Pensa assim: tu és como uma vela ao Sol. Estás lá sem dúvida. Tu e mais milhões, ziliões de outras velas que constituem o Sol. E o Sol não seria o Sol sem vocês.
“Não seria um sol sem uma das suas velas... e isso não seria de todo o Sol, pois não brilharia tanto. E no entanto, como podes conhecer-te como a Luz quando estás no meio da Luz — eis a questão”.— Bem, tu és Deus. Pensa em alguma coisa! — Disse a Pequena Alma mais animada.
Deus sorriu novamente.
— Já pensei. Já que não podes ver-te como a Luz quando estás na Luz, vamos rodear-te de escuridão — disse Deus.
— O que é a escuridão? Perguntou a Pequena Alma.
— É aquilo que tu não és — Replicou Deus.
— Eu vou ter medo do escuro? — Choramingou a Pequena Alma.
— Só se o escolheres. Na verdade não há nada de que devas ter medo, a não ser que assim o decidas. Porque estamos a inventar tudo. Estamos a fingir.
— Ah! —
Disse a Pequena Alma, sentindo-se logo melhor.
Depois Deus explicou que, para se experimentar o que quer que seja, tem de aparecer exactamente o oposto.
— É uma grande dádiva, porque sem ela não poderíamos saber como nada é — disse Deus — Não poderíamos conhecer o Quente sem o Frio, o Alto sem o Baixo, o Rápido sem o Lento. Não poderíamos conhecer a Esquerda sem a Direita, o Aqui sem o Ali, o Agora sem o Depois. E por isso, — continuou Deus — quando estiveres rodeada de escuridão, não levantes o punho nem a voz para amaldiçoar a escuridão.
“Sê antes uma Luz na escuridão, e não fiques furiosa com ela. Então saberás Quem Realmente És, e os outros também o saberão. Deixa que a tua Luz brilhe tanto que todos saibam como és especial!”— Então posso deixar que os outros vejam que sou especial? — Perguntou a Pequena Alma.
— Claro! — Deus riu-se. — Claro que podes! Mas lembra-te de que “especial” não quer dizer “melhor”! Todos são especiais, cada qual à sua maneira! Só que muitos esqueceram-se disso. Esses apenas vão ver que podem ser especiais quando tu vires que podes ser especial!
— Uau —
disse a Pequena Alma, dançando e saltando e rindo e pulando. — Posso ser tão especial quanto quiser!
— Sim, e podes começar agora mesmo —
disse Deus, também dançando e saltando e rindo e pulando juntamente com a Pequena Alma — Que parte de especial é que queres ser?
— Que parte de especial? —
Repetiu a Pequena Alma. — Não estou a perceber.
— Bem, —
explicou Deus — ser a Luz é ser especial, e ser especial tem muitas partes. É especial ser bondoso. É especial ser delicado. É especial ser criativo. É especial ser paciente. Conheces alguma outra maneira de ser especial?A Pequena Alma ficou em silêncio por um momento.
— Conheço imensas maneiras de ser especial! — Exclamou a Pequena Alma — É especial ser prestável. É especial ser generoso. É especial ser simpático. É especial ser atencioso com os outros.
— Sim! —
Concordou Deus — E tu podes ser todas essas coisas, ou qualquer parte de especial que queiras ser, em qualquer momento. É isso que significa ser a Luz.
— Eu sei o que quero ser, eu sei o que quero ser! —
Proclamou a Pequena Alma com grande entusiasmo. — Quero ser a parte de especial chamada “perdão”. Não é ser especial alguém que perdoa?
— Ah, sim, isso é muito especial,
assegurou Deus à Pequena Alma.
— Está bem. É isso que eu quero ser. Quero ser alguém que perdoa. Quero experimentar-me assim — disse a Pequena Alma.
— Bom, mas há uma coisa que devias saber —
disse Deus.
A Pequena Alma já começava a ficar um bocadinho impaciente. Parecia haver sempre alguma complicação.
— O que é? — Suspirou a Pequena Alma.
— Não há ninguém a quem perdoar.
— Ninguém? A Pequena Alma nem queria acreditar no que tinha ouvido.
— Ninguém! —
Repetiu Deus. Tudo o que Eu fiz é perfeito. Não há uma única alma e em toda a Criação menos perfeita do que tu. Olha à tua volta.Foi então que a Pequena Alma reparou na multidão que se tinha aproximado. Outras almas tinham vindo de todos os lados — de todo o Reino — porque tinham ouvido dizer que a Pequena Alma estava a ter uma conversa extraordinária com Deus, e todas queriam ouvir o que eles estavam a dizer. Olhando para todas as outras almas ali reunidas, a Pequena Alma teve de concordar. Nenhuma parecia menos maravilhosa, ou menos perfeita do que ela. Eram de tal forma maravilhosas, e a sua Luz brilhava tanto, que a Pequena Alma mal podia olhar para elas.
— Então, perdoar quem? — Perguntou Deus.
— Bem, isto não vai ter piada nenhuma! — Resmungou a Pequena Alma — Eu queria experimentar-me como Aquela que Perdoa. Queria saber como é ser essa parte de especial. E a Pequena Alma aprendeu o que é sentir-se triste. Mas, nesse instante, uma Alma Amiga destacou-se da multidão e disse:
— Não te preocupes, Pequena Alma, eu vou ajudar-te —
Disse a Alma Amiga.
— Vais? — A Pequena Alma animou-se. — Mas o que é que tu podes fazer?
— Ora, posso dar-te alguém a quem perdoares!
— Podes?
— Claro! —
Disse a Alma Amiga alegremente. — Posso entrar na tua próxima vida física e fazer qualquer coisa para tu perdoares.

— Mas porquê? Porque é que farias isso? —
Perguntou a Pequena Alma. — Tu, que és um ser tão absolutamente perfeito! Tu, que vibras a uma velocidade tão rápida a ponto de criar uma Luz de tal forma brilhante que mal posso olhar para ti! O que é que te levaria a abrandar a tua vibração para uma velocidade tal que tornasse a tua Luz brilhante numa luz escura e baça? O que é que te levaria a ti, que danças sobre as estrelas e te moves pelo Reino à velocidade do pensamento, a entrar na minha vida e a tornares-te tão pesada a ponto de fazeres algo de mal?
— É simples —
disse a Alma Amiga. — Faço-o porque te amo.A Pequena Alma pareceu surpreendida com a resposta.
— Não fiques tão espantada — disse a Alma Amiga — tu fizeste o mesmo por mim. Não te lembras? Ah, nós já dançámos juntas, tu e eu, muitas vezes. Dançámos ao longo das eternidades e através de todas as épocas. Brincámos juntas através de todo o tempo e em muitos sítios. Só que tu não te lembras. Já fomos ambas o Todo. Fomos o Alto e o Baixo, a Esquerda e a Direita. Fomos o Aqui e o Ali, o Agora e o Depois. Fomos o Masculino e o Feminino, o Bom e o Mau — fomos ambas a vítima e o vilão. Encontrámo-nos muitas vezes, tu e eu; cada uma trazendo à outra a oportunidade exacta e perfeita para Expressar e Experimentar Quem Realmente Somos. — E assim, — a Alma Amiga explicou mais um bocadinho — eu vou entrar na tua próxima vida física e ser a “má” desta vez. Vou fazer alguma coisa terrível, e então tu podes experimentar-te como Aquela Que Perdoa.
— Mas o que é que vais fazer que seja assim tão terrível? —
Perguntou a Pequena Alma, um pouco nervosa.
— Oh, havemos de pensar nalguma coisa — Respondeu a Alma Amiga, piscando o olho.
Então a Alma Amiga pareceu ficar séria, disse numa voz mais calma:
— Mas tens razão acerca de uma coisa, sabes?
— Sobre o quê? —
Perguntou a Pequena Alma.
— Eu vou ter de abrandar a minha vibração e tornar-me muito pesada para fazer esta coisa não muito boa. Vou ter de fingir ser uma coisa muito diferente de mim. E por isso, só te peço um favor em troca.
— Oh, qualquer coisa, o que tu quiseres! —
Exclamou a Pequena Alma, e começou a dançar e a cantar: — Eu vou poder perdoar, eu vou poder perdoar!Então a Pequena Alma viu que a Alma Amiga estava muito quieta.
— O que é? — Perguntou a Pequena Alma.
— O que é que eu posso fazer por ti? És um anjo por estares disposta a fazer isto por mim!
— Claro que esta Alma Amiga é um anjo! —
Interrompeu Deus, — são todas! Lembra-te sempre: Não te enviei senão anjos.E então a Pequena Alma quis mais do que nunca satisfazer o pedido da Alma Amiga.
— O que é que posso fazer por ti? — Perguntou novamente a Pequena Alma.
— No momento em que eu te atacar e atingir, — respondeu a Alma Amiga — no momento em que eu te fizer a pior coisa que possas imaginar, nesse preciso momento...
— Sim? —
Interrompeu a Pequena Alma
— Sim?A Alma Amiga ficou ainda mais quieta.
— Lembra-te de Quem Realmente Sou.
— Oh, não me hei-de esquecer! —
Gritou a Pequena Alma — Prometo! Lembrar-me-ei sempre de ti tal como te vejo aqui e agora.
— Que bom, —
disse a Alma Amiga — porque, sabes, eu vou estar a fingir tanto, que eu própria me vou esquecer. E se tu não te lembrares de mim tal como eu sou realmente, eu posso também não me lembrar durante muito tempo. E se eu me esquecer de Quem Sou, tu podes esquecer-te de Quem És, e ficaremos as duas perdidas. Então, vamos precisar que venha outra alma para nos lembrar às duas Quem Somos.
— Não vamos, não! —
Prometeu outra vez a Pequena Alma. — Eu vou lembrar-me de ti! E vou agradecer-te por esta dádiva — a oportunidade que me dás de me experimentar como Quem Eu Sou.E assim o acordo foi feito. E a Pequena Alma avançou para uma nova vida, entusiasmada por ser a Luz, que era muito especial, e entusiasmada por ser aquela parte especial a que se chama Perdão. E a Pequena Alma esperou ansiosamente pela oportunidade de se experimentar como Perdão, e por agradecer a qualquer outra alma que o tornasse possível. E, em todos os momentos dessa nova vida, sempre que uma nova alma aparecia em cena, quer essa nova alma trouxesse alegria ou tristeza — principalmente se trouxesse tristeza — a Pequena Alma pensava no que Deus lhe tinha dito:
 
         Lembra-te sempre, — Deus aqui tinha sorrido não te enviei senão anjos.

 
Conto de Neale Donald Walsch

11 comentários:

(●•Lia •●) disse...

:-)

Joana disse...

Agora que sei Quem Sou, posso sê-lo?

Fizeste-me pensar muito com esta frase. Sabes, acho que há um ponto nossa vida em que ficamos fartas de querer ser o que não somos e começamos a ser quem queremos ser. Não é nada fácil, mas não é impossível. Se tu sabes quem é que queres ser, porque não sê-lo? :)

Muitos beijinhos! :D

Pizza disse...

Pyps...
Bem, podes tirar muito do teu post hoje (no fundo, todas podemos!)

Adorei falar contigo! e acho que devias ter posto aqui as fotografias do folar... ias deixar toda gente a babar...

como foi o fds no campo?

Está tudo bem?

:)

beijinhos

Sónia Santos disse...

Este post fez-me mesmo ficar a pensar. Porque passamos os nossos dias a querer ser quem não somos e não nos preocupamos em ser o que realmente somos? Fazê-lo bem, melhorarmos, "sermos especiais" em alguma parte como a Pequena Alma e principalmente sermos felizes.
Adorei o post.
Beijinhos

theperfectmessterpiece disse...

força Inês, estás no caminho para a cura..

Joana disse...

Alô outra vez :D

Pelo que eu vejo a fluoxetina não têm qualquer influência na doação de sangue, e podes fazê-lo na mesma.

Em relação ao peso, normalmente eles exigem que tenhas um peso estável acima dos 50 kg, e vai variando - já tive amigas que não puderam doar porque tinham 52kg, e já tive amigos que não puderam doar mesmo tendo 55 kg (mas como tinham 1.85, a modos que era pouco). Como eu disse lá no meu blog, eu só tentei doar sangue uma vez, e na altura tinha (bem) mais peso. Agora não sei sequer se poderia dar, apesar de ter um peso estável. Vou tentar e depois digo-te, ok? :)

Beijinhos!

P.S: Já estás quase lá? :D BOA!!!! :D

D.Pereira disse...

tenho que confessar que é um conto muito belo...

Luah disse...

:)

Corre como uma menina disse...

Bela história! "Agora que sei quem SOU..."

E é a primeira vez que te leio! Gostei :)

Beijinhos!

Joana disse...

Olá outra vez :)

Eles não sabem se o teu peso é estável ou não, daí darem sempre alguma margem de manobra ;) De qualquer das formas agora deves focar-te em ficar BOA e depois focas-te em pôr os outros bons :)

Eu sei que não estás assim tão confiante ;) Por um lado é bom, muito bom, mas por outro parece que estás a perder o controlo ;) Acredita que vai ficar tudo bem :) E um dia vais olhar para trás e tudo isto vai ter desaparecido da tua vida :D

Beijinhos!

theperfectmessterpiece disse...

Inês, tu és tão querida!!! :) obrigada pelos teus comentários. E acredita que é mesmo uma felicidade enorme saber que tu sabes qual é que é o caminho certo..pode custar a entrar nele..mas já fizeste o mais difícil, que é compreende-lo e escolhe lo. E, mesmo que não repares, andas muito mais feliz. Ao ponto de te desfocares do peso..e falares, por exemplo, da força mais bonita e pacificadora do mundo, que é Jesus =)