segunda-feira, 4 de junho de 2012

Perturbação Estado-Limite da Personalidade (ou Borderline)

Características de diagnóstico (informação retirada do DSM.IV-TR - e não só lol)

De uma forma mais perceptível, o Borderline é aquele que se encontra como que numa fronteira entre a neurose e a psicose, tendo por isso presentes, aspectos inerentes à personalidade psicótica e aspectos inerentes à personalidade neurótica. Este sujeito é capaz de manter o juízo crítico e o senso da realidade, contudo, tendo em conta as diversas características, é possível perceber que a sua identidade não está integral, o que resulta numa pessoa com dificuldade em transmitir uma imagem de si integrada, coerente e consistente revelando-se uma pessoa contraditória, ambígua, instável e bastante compartimentada
A característica essencial desta perturbação é um padrão global de instabilidade no relacionamento interpessoal, auto-imagem e afectos, e uma impulsividade marcada no início da idade adulta e presente numa variedade de contextos.

Estas pessoas fazem esforços frenéticos para evitar o abandono, seja real ou imaginado. A percepção da iminência da separação ou rejeição, ou a perda da estrutura externa, podem levar a profundas alterações na auto-imagem, afecto, cognição e comportamentos. O borderline que teme a rejeição vai antecipá-la, procurando provocar muitas vezes a separação de forma rápida, ao mesmo tempo que a lamenta. As relações com o outro são marcadas por períodos de alternância entre uma intensa admiração por uma pessoa e o seu contrário, uma intensa desvalorização. A primeira falha do outro é sancionada por um descrédito sistemático. O borderline não possui uma percepção integrada do outro, ele vê-se na incapacidade de reconhecer que a pessoa admirada possa ter defeitos.

São muito sensíveis às circunstâncias ambientais. Vivenciam medos intensos de abandono e uma raiva inapropriada, até mesmo face a uma situação de separação limitada no tempo ou quando há uma inevitável mudança de planos. Estas pessoas podem acreditar que este "abandono" implica que elas são "más". Estes medos de abandono estão associados a uma intolerância a estarem sozinhos e à necessidade de terem outras pessoas próximas de si. Os seus esforços frenéticos para evitar o abandono podem incluir actos impulsivos como AUTOMUTILAÇÃO ou COMPORTAMENTOS SUICIDAS  (atitudes habitualmente precipitadas por ameaças de separação ou rejeição, ou por expectativas de aumento de responsabilidade.  a automutilação pode ocorrer durante experiências dissociativas e muitas vezes trazem alívio por reafirmarem a capacidade de sentir ou para expiarem o sentimento que os indivíduos têm de serem maus).

Podem idealizar amantes ou cuidadores potenciais no 1º ou 2º encontros, exigir k passem mt tempo juntos e que partilhem os pormenores mais íntimos logo ao início de uma relação. Contudi, podem mudar rapidamente da idealização para a desvalorização, sentindo k os outros nao as acarinham, nao lhes dao ou nao "estao" o suficiente.

Pode haver uma perturbacao da identidade caracterizada por uma marcada e persistente instabilidade da auto-imagem ou sentido de si próprio. Há alteraçoes súbitas e dramáticas na auto-imagem, caracterizadas por alterações de objectivis, valores e aspirações vocacionais. Pode haver alterações súbitas na opinião acerca da carreira, identidade de género, valores e tipos de amigos. Estas pessoas podem subitamente mudar de um papel de necessidade de ajuda para outro de justiceiros de ofensas passadas. Apesar de terem frequentemente uma auto-imagem baseada em serem boas ou más, podem por vezes sentir que pura e simplesmente não existem.

Podem demonstrar impulsividade em pelo menos 2 áreas potencialmente autodestrutivas (p.e. jogar, gastar dinheiro irresponsavelmente, fazer ingestao maciça de alimentos, abusar de substancias, envolverem-se em relacionamentos sexuais de risco ou conduzir temerariamente.

O humor disfórico (ou seja, tristeza, insatisfação... é o oposto de euforia, basicamente) de base destas pessoas é habitualmente quebrado por períodos de raiva, pânico ou desespero e raramente aliviado por períodos de bem-estar ou satisfação.
Facilmente aborrecidas, estas pessoas estão constatemente à procura de alguma coisa para fazer. Expressam frequentemente uma raiva intensa e inapropriada ou têm grande dificuldade em controla-la. Podem mostrar sarcasmo extremo, mordacidade continuada ou explosões verbais.
Estas expressoes de raiva sao habitualmente seguidas de vergonha e culpa e contribuem para sentirem k foram malévolos.
Durante os períodos de stress extremo PODEM ocorrer ideação paranóide transitória ou sintomas dissociativos (por outras palavras, passarem-se da corneta...), durando minutos ou horas.

Estas pessoas podem ter um padrao de ruptura consigo proprias kand um objectivo está à beira de se concretizar (abandonar a escola mesmo perto da graduação, apresentar uma grave regressão após discussão sobre a terapia, destruir um bom relacionamento exactamente no momento em k é claro k pode perdurar...).
Sao frequentes as interrupções escolares, despedimentos e divórcios.
Na historia infantil destas pessoas sao frequentes os relatos de abuso fisico e sexual, negligencia, conflitos violentos e perda ou separacao parental precoce.

Atenção, pessoas! Nem todos os borders (lol) têm as mesmas características, ou seja, não é preciso ter todos estes sintomas para se ser borderline. Bastam apenas 5  tópicos (podendo haver mais) para se poder ser diagnosticado com esta perturbação:
1- esforços freneticos para evitar o abandono real ou imaginado (check)
2- padrao de relacoes interpessoais instensas e instáveis, caracterizadas por alternância extrema entre idealização e desvalorização (talvez)
3- perturbaçao da identidade: instabilidade persistente e marcada da auto-imagem ou do sentimento de si proprio (check)
4- impulsividade em pelo menos duas áreas que sao potencialmente autolesivas (check)
5- comportamentos, gestos ou ameças recorrentes de suicidio ou comportamento automutilante (check)
6- instablidade afectiva por reactividade de humor marcada( por exemplo, episódios intensos de disforia, irritabilidade ou ansiedade, habitualmente durando poucas horas e raramente mais do que alguns dias) (check)
7- sentimento cronico de vazio (talvez)
8- raiva intensa e inapropriada ou dificuldades de a controlar (talvez)
9- ideaçao paranoide (suspeita falsa ou convicção de ser perseguido, torturado ou tratado de forma injusta, mas em proporções menores do que uma ilusão) transitória reactiva ao stress ou sintomas dissociativos graves  (FELIZMENTE NAO!!)

Perturbações associadas (ou seja, é comum haver mais perturbações ao mesmo tempo)
Perturbações de Humor (depressao, bipolaridade, por aí fora)
Perturbações Relacionadas com Substancias
Perturbações do Comportamento Alimentar
Perturbação Pós-Stress Traumático
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
e pode também associar-se a outras Perturbações da personalidade (paranóide, esquizóide, esquizotípica, histriónica, evitante, dependente, obsessivo-compulsiva...... etc etc etc)

Evolução
Instabilidade crónica no início da idade adulta, com episódios graves de descontrolo da afectividade e dos impulsos e níveis elevados de utilizaçao dos recursos de saúde geral e mental.
A incapacidade e o risco de suicidio sao maiores no inicio da idade adulta, desvanecendo-se gradualmente com o avanço da idade.
Embora a tendencia para as emoçoes intensas, a impulsividade e a intensidade dos relacionamentos dure muitas vezes toda a vida, as pessoas k se empenham na intervençao terapeutica mostram muitas vezes melhoras cujo inicio ocorre frequentemente logo no 1º ano.
Estudos indicam k, ao fim de 10 anos, cerca de metade das pessoas ja nao tem um padrao de comportamento que preencha os criterios completos desta perturbaçao.


Não faço ideia se percebem o que está para aqui escrito, tentei pôr o mais simples possível...
***

4 comentários:

Joana disse...

Olá ;)

Como é óbvio eu percebo tudo o que aí escreveste, e até me ri quando li a parte do 'passar da corneta' :D A sério, eu tenho cada história das urgências de psiquiatria que não sei se ria, se chore ou se tenha medo porque aquilo é engraçado, altamente triste e muito assustador ao mesmo tempo.

Vou-te dizer novamente que sermos nós a diagnosticar-nos não é muito boa ideia ;) De qualquer das formas, se achas que tens isso também sabes como podes combatê-lo, e tu própria dizes que regride em metade das pessoas ;) Ou seja, as pessoas ficam tolinhas, mas depois passa ;)

No dia 18 estou de banco, mas dependendo da hora posso ir ter contigo :D Passas cá o dia? :)

Beijinhos beijinhos beijinhos :D

Daniela disse...

Olá Inês :) O meu nome é Daniela. Encontrei o teu blog por acaso e quando comecei a ler pensei logo de imediato "isto é algo parecido com o que eu escrevi há 7 anos atrás"...Sim, tambem padeci do mesmo distúrbio que tu e demorei muito tempo a sair da fossa, mas só queria deixar-te uma mensagem positiva que isso vai passar mas tem de ser com imenso esforço da tua parte. Vais ver que vale a pena ;) Se precisares de falar deixo-te o meu e-mail: dany_ela_18@hotmail.com

Beijinhos

Luah disse...

LOl informação tens ;)

mas como te disse, não te apegues a esta defesa (a doença), mas apega-te ao momento em que estás agora. Podes estar assim agora, mas quem sabe o futuro? tudo é reversível, é nisso que eu acredito, e não estou a ser filosófica apenas. só o tempo é que não é :)

nós conseguimos mudar tudo em nós, se fizermos algo que provoque essa mudança, seja por que meio for.

tu tens amigas, acompanhamento psicológico, e tens-te a ti, portanto tens tudo para superares este momento ;)

Estou aqui a dar-te força, e espero que tudo fique bem**

o guardador disse...

interessante :)