terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

ahhhhhhhhh good to be back!

Milhentas novidades. Maioritariamente negativas, mas tenho procurado dar mais valor às positivas.

Assim por alto, o meu avô materno teve um avc e acredita-se que nao volte a andar ou falar. Não é que não tenha forças, o problema é que não sabe o que fazer com o corpo. Acredito que me tenho enganado a mim própria e vejo progressos onde provavelmente não os há. Hoje deu-me dois beijinhos. Ontem disse-me "oh pa" e "não ponhas mais aí" (estava a bezuntá-lo de creme). Os "oh pa" que manda de vez em quando talvez sejam mais como reflexo (quando faço cócegas ou quando o magoamos).
Estamos perante a incerteza do inscrevê-lo num lar ou comprar uma cama apropriada e mantê-lo em casa. Lar é muito caro e falta carinho. Em casa não sabemos nem conseguimos cuidar dele sozinhos (pesa quase 100kgs). Além disso, a fisioterapeuta avisou-me que a minha mãe não pode fazer o mínimo de esforço físico para ajudar o meu avô "o coração está igual ou pior ainda do que o do pai com 90 anos", e sei que será impossível demovê-la. Mas a decisão não é minha, nem me devo meter nisso. Ele tem 3 filhos, eles que resolvam entre eles.

A minha mãe está com ciúmes do rapaz e não consegue enfrentá-lo por motivos bizarros e absurdos.
Vomita diariamente mas diz não estar doente, que apenas o faz quando está mais nervosa e que não é tão fraca como eu, "sou mais forte".

A Filipa acha que manter-me aqui é manter-me doente. E, por mais que me custe admitir, ela tem razão. Adoro os meus pais e não tenho a menor dúvida que também me amam. Mas esta gente é toda marada da corneta e eu cá já estou farta de o ser também. Quero sair desta casa. Se sair da cidade melhor ainda. Quanto mais longe dos olhares e das críticas melhor. Cansei de tanta pressão para corresponder a um ideal de filha irrisório e doentio. Sou como sou e aceito isso. Apesar de saber que ela não sente orgulho em mim, eu sinto. Sinto orgulho não no que fiz, mas como ultrapassei tudo, como consegui sair do fundo do poço e regressar à superfície. Sinto orgulho na pessoa em que me tornei e naquilo que pretendo para mim e para os meus. Sinto um desgosto enorme por saber que a minha própria mãe não consegue em mim o que agora vejo, mas não irei mais deixar que isso me puxe de novo para o degredo de vida.
Continuo a achar que não sou nada atraente e que tenho um feitio tramado de se aturar quando estou com os azeites. Mas também sei que quando amo sou capaz de tudo. Sei também que sou inteligente (mesmo tendo surtos de burrice de vez em quando) e generosa. Por vezes sou casmurra que nem uma mula, mas sei admitir e pedir perdão quando erro (ou pelo menos quando tenho consciência que errei).

Sei que ter adoecido trouxe muito sofrimento para muita gente, nomeadamente os meus pais, mas também sei que eles terão contribuído para que isso acontecesse. Não culpabilizo ninguém por ser maluca, mas também já não desculpabilizo. E já não admito que me joguem em cara o sofrimento que causei. Já enfrento a minha mãe, de quem toda a gente tem medo. Não têm sido dias nada fáceis, ela tem formas de manipular de bradar aos céus, mas já as consigo identificar (pelo menos algumas) e reagir.

Além disso, tenho um belo de um homem ao meu lado. O futuro que tenho criado na minha cabeça para nós os dois faz-me ter forças para superar isto tudo e querer sair daqui para fora. Não quero mais dramas, não quero mais doenças nem manipulações. Amo verdadeiramente os meus pais e jamais os abandonarei. Mas deixar de viver a minha vida para alimentar ilusões, medos e, consequentemente, parvoíces mentais (doença soa mal) de AMBOS os meus progenitores, nunca mais. Chegou a altura de seguir em frente, de abandonar o ninho. Com o tempo verão que afinal não me parto e que não sou tão fraca como isso. Toca a fazer sacrifícios e juntar todos os tostões, trabalhar onde houver emprego (provavelmente apenas no inferno da empresa da família) e depois sair daqui e ser feliz.

Anseio que passem 1, 2, 3 anos a fugir. Sorrio quando penso como e com quem estarei nessa altura.
Por hoje é tudo. O meu homem espera-me. Beijos a todos, e força. Muita força.

p.s. têm sido dias caóticos e de tirar qualquer um do sério lol
p.s.s. mantenho-me na casa dos 47kgs há meses. Andando quase sempre perto dos 48, mas nunca lá chego (47.8; 47.6...o que a filipa acha interessante, praticamente lá, mas ainda não consigo)
p.s.s.s cada dia que passa o que sinto pelo rapaz aumenta... isto é mesmo muito lamechas, mas é o que sinto. Ele tem-me feito mesmo muito bem.

:)

1 comentário:

Be(e)Free disse...

que pessoa tão linda!!
quase chorei ao ler isto