domingo, 3 de março de 2013

:)

Nestes últimos tempos tenho sido testada, dia após dia. E de forma nada subtil. 
A mãe, o avô, os vizinhos (idosos, depressivos, 112 a meio da madrugada), a avó (depressiva), a tia (depressiva), multas, o tempo que não dá para nada, toda a gente a explodir, querer independência mas não a poder ter já... enfim, inúmeras coisas. 
De qualquer das formas, penso que me tenho aguentado bastante bem e não tenho intenções de deixar de o fazer (apesar de por vezes me passar o contrário pela pela cabeça). Ando fisicamente exausta, mas, apesar de tanta coisa má a acontecer, sinto-me feliz. Por vezes penso se não terei a ser egoísta, afinal, com tanta desgraça e com tanta gente infeliz, como é que eu me posso sentir feliz? Mas depois apercebo-me do descabido que é este pensamento e simplesmente permito-me sentir bem. 

A vida não é feita apenas de arco-íris, confetis e unicórnios saltitantes. E nem sei se isso seria realmente agradável, conhecendo-me como me conheço, o mais certo seria enjoar de tanta cor muito rapidamente. Claro está que preferia que o preto não fosse tão preto ou que não permanecesse durante tanto tempo... mas isso não depende de mim. Apenas depende de mim enfrentá-lo e nunca esquecer que existem outras cores, bem mais vistosas. 
Bem sei que é muito fácil falar, oh se sei. Mas também sei que é possível fazê-lo e que irá valer a pena. 

Anseio tanto pela minha vida fora do ninho que nem o sei descrever. Se tenho medo? Céus, como tenho! Mas ter medo é natural. O futuro é incerto e o desconhecido assusta. Mas agarrarmos-nos ao passado apenas pelo receio do que poderá vir não me parece ser a melhor solução. 
Muito provavelmente irei ter dias de arrependimento, em que a saudade causada pelo conforto da protecção irá sobressair. Não sou diferente dos outros, certamente. Mas tenho a certeza de que o arrependimento de ter ficado na minha zona de conforto será sempre maior. Assim sendo, está na altura de agir, de crescer de uma vez por todas e de deixar de ter medo. Aliás, não é nada disso. Ter medo é algo natural, faz parte do instinto de sobrevivência e é impossível evitá-lo. Está é na altura de enfrentar os medos, por mais assustador que isso me pareça. 

Ah, já vos contei que tenho um grande companheiro ao meu lado? 
Várias vezes lhe fiz/faço ver que pretendo que ele siga aquilo em que acredita, que me enfrente quando acredita estar certo e que jamais o deixarei por ele ter ideias próprias e valorizar-se. Admito-lhe que por vezes consigo ser bastante manipuladora e que ele não deve alimentar isso em mim, tal como eu não pretendo alimentar essa mesma característica dele. Para o nosso bem. 
Claro que valorizar-se não implica necessariamente ausência de humildade ou presença de egocentrismo, mas ele não é burro e percebe isso :P 
Acredito que as experiências que teve anteriormente o tenham assustado bastante em relação a discussões, no sentido em que "é sinónimo de separação". Mas estou a tentar que perceba que eu sou a Inês, não tenho nada a ver com as outras. 
Costumo dar-lhe o exemplo de um terramoto. A Terra tem muita energia e essa energia tem de ser libertada para o exterior. Se ficar muito tempo sem a libertar, essa energia vai-se acumulando e acumulando e quando sai (porque tem de sair), sai toda de uma vez, provocando grandes estragos. Por outro lado, se, ao longo do tempo, existirem pequenos tremores de terra, nunca haverá acumulação extrema de energia e os estragos serão mínimos. 
O mesmo se passa em qualquer tipo de relação, seja entre pais e filhos, seja entre amigos, seja entre casais e por aí fora. Discutir não é sinónimo de não amar. Discutir pode ser sinónimo de estar preocupado com, por exemplo. Claro que discutir demasiado também não me parece saudável, mas tudo dependo do tipo de discussões. 
Peço-lhe com muita frequência que nunca esconda o que pensa ou sente, mesmo que ache que poderá despoletar uma discussão ou que poderei ficar chateada. Porque eu também erro e nem sempre me apercebo dos meus erros. 
E dizer-lhe isto tem surtido efeito. Hoje, por exemplo, quando lhe estava a dizer isto mesmo ele disse "hoje não gostei do que fizeste". E dei-lhe toda a razão. Acordámos, não comi nada "como em casa, antes da explicação", mas não o fiz. Bebi café, fumei e nada de comida. São pequenas coisas (e tem a ver com comida lol) mas quero mesmo que ele nunca, jamais se deixe manipular por mim. Não quero ver o meu pai nele. Quero que ele seja verdadeiramente feliz ao meu lado, nem que isso implique uma ou outra discussão de vez em quando. Discutir pode ser saudável. Uma relação sem discussões é muito, muito duvidosa. 
Talvez este exemplo com a comida não tenha sido o melhor, mas foi o primeiro que me ocorreu (é o mais recente). 
Eu não preciso nem quero uma marioneta, preciso de um ser humano ao meu lado. 

Uma última novidade. A Mariana hoje veio cá. Que saudades tinha eu daquela miúda. Trouxe-me um queijinho feito por eles com o leite das cabras deles. Pareceu-me feliz, embora tenha notado qualquer nela que me deixou de pé atrás. Mas não houve tempo para falar mais, o que me entristece. Tenho pena que ela esteja longe. Sinto-me felicíssima por ela, mas lamento o não poder aproveitar mais aquele ser maravilhoso que é. Mas faz parte da vida. Ela já voou e eu serei a próxima :)



2 comentários:

Be(e)Free disse...

ok, estou a chorar baba e ranho. O q escreveste chega bem cá dentro...

Esta miuda é uma grande mulher, epá, diabos me levem se tu nao fores infinitamente feliz!!

estou emocionada lol snif snif

ÉS LINDA!!

Andie Chambers disse...

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