sexta-feira, 19 de abril de 2013

título

Depois de muitas reclamações e escandalos feitos pela minha mae e pela minha irma lá no hospital, lá conseguiram que fizessem exames ao meu irmao. Está tudo bem e está neste preciso momento a caminho do hospital de faro (porque é a area de residencia). Que alívio...............................

Começo-me a mentalizar que irei morar para a charneca e começo a ficar ansiosa pelo dia. Mas vou manter a calma e tentar fazer tudo com os pés bem assentes no chão. Preciso mesmo que a minha vida avance de uma vez por todas.

hey

Antes achava que estava em 2012, o que não é muito preocupante. Ontem, quando a enfermeira lhe perguntou em que ano estamos respondeu "prai em 94 ou 95". Os médicos começam a ficar preocupados.

Esta noite dormi mais tempo, consegui dormir 5h, a minha avó foi uma fofa e ficou a dormir até às 8h30. Ela está cá em casa comigo, não pode ficar sozinha. Dá muito trabalho, mas também me dá muitos miminhos e faz muita companhia, o que compensa perfeitamente o cansaço. De qualquer das formas, vou tentar deitar-me o mais tardar à 1h, senão ainda me dá o badagaio.

Tenho medo pelo meu mano. Não, não me esqueci. Mas vê-lo naquele estado dá-me vontade de o abraçar e pedir que me peça desculpa para que esta porcaria passe e nos demos como irmãos. Não podemos ficar sem ele. Doi demasiado pensar nisso.

Bah.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Mais novidades

Ontem fui a Lisboa. Após dias a dormir cerca de 4h, nessa noite nem 1h dormi. 

Fui vê-lo. Está a melhorar, saiu ontem dos cuidados intensivos. Tem dificuldades em se lembrar de coisas mais recentes, por exemplo, não se lembra/lembrava que já mora com a minha cunhada, não se lembra/lembrava que o meu avô faleceu e não se lembra do acidente. Não se lembra que a cunhada dele (13 anos) ia ao lado e chora cada vez que lho dizemos. Mas consegue fazer novas memórias, isso eu certifiquei-me. Acredito que esteja apenas confuso com tanta informação e que o cérebro está cansado e a tentar recuperar das pancadas que sofreu. É normal. 
Pergunta as horas constantemente e pede por um espelho, para ver a cara. Como é óbvio, ninguém lho dá. Passava-se de certeza. 
Ao sair, disse-lhe "gosto muito de ti, ok?", ao qual me respondeu "tá bem". Voltei a tentar: "Sabes disso, não sabes?", "sei". 

O mais ridículo no meio disto tudo é que, se o meu irmão não tivesse seguro contra todos os riscos, teria de pagar as despesas hospitalares dele e as dos outros condutores, porque uma vez que o cavalo não pode pagar, o meu irmão é um espécie de culpado pelo que aconteceu aos outro carros, porque foi ele quem bateu no cavalo. Aliás, foi o cavalo que bateu nele, mas ok. Falam também que poderá receber uma carta a pedir que pague as despesas de limpeza da via (havia pedaços de cavalo por todo o lado).
Isto é tudo tão ridiculo que não me parece que va acontecer.

O meu rapaz foi à tal entrevista, na charneca da caparica. Correu bem. Fomos ver o apartamento (incluído com o ordenado) e eu adorei. Tem uma cozinha com mesa, duas cadeiras e um sofázito; frigorifico; maquina de lavar e fogao. Sala com lareira (que ele sempre disse que adorava um dia ter); duas varandas, uma aberta outra fechada; duas casas de banho; dois quartos; uma despensa. Quarto andar, numa zona bem pacata. Está em optimo estado e eu imaginei-nos logo lá dentro "porra, que trabalheira isto me vai dar a limpar!".

Agora que isto se aproxima, o medo cresce. Estar longe da minha zona de conforto vai ser dose. Mas agora tenho de me focar na minha familia e em me mentalizar que vou estar longe dele pelo menos por 3 meses. Depois das aulas (minhas e dos explicandos), logo se vê. A mãe já disse "vais para lá e procuras trabalho e ficam por lá". É pertinho da minha irmã.

Não sei. Não sei se me vou dar bem lá, longe da minha avózinha, dos meus pais, do meu irmão, dos amigos, de tudo o que conheço. Quero muito ficar com ele, gosto cada vez mais de olhar para ele, de o abraçar, de o chatear com a saúde dele ou de implicar com o que quer que faça. Vou sentir saudades de estar com ele, de desabafar e de o animar. 

Está a acontecer tudo muito depressa, muita coisa ao mesmo tempo. Não sei o que achar disto tudo. Tentei falar com a psiquiatra, mas quando tive oportunidade de ir ter com ela, disseram-me que já tinha bazado. Pelos vistos era mentira, mas já não fui a tempo na mesma. 

Como será a minha vida daqui a 6 meses? Estarei eu a morar com ele tão longe daqui? Estarei a trabalhar também? No quê? O meu irmão estará bem? A minha avó? A minha mãe, sofrerá muito? E o meu pai, aguentar-se-á à bronca sozinho? O rapaz? Terá vontade de ficar comigo mesmo e a sério? Será que não se vai cansar de mim? E eu? Será que me irei arrepender? Não sei. Mas quero ir para onde ele for. E vou. 
ontem estava assustada e pensava "não posso ir, precisam de mim aqui!". Agora, mais calma, já penso melhor no que lhe foi oferecido e no que ele me pode dar. Não falo propriamente de dinheiro nem nessas merdas, refiro-me mais ao que me tem dado e o que tem mudado. É verdade que aquela cabeça também está toda baralhada, mas ele ouve-me e tenta seguir os meus conselhos. E isso é tudo o que lhe posso pedir. Tem-se esforçado por me manter perto dele, mas já não me sufoca. Tem controlado a glicémia. Tem ajudado a encher o NOSSO mealheiro e já comprou tamparueres para guardar para a nossa casa. 
É carinhoso e ajuda-me no que lhe peço (e não só). 

A minha avó, à pergunta "o que achas dele?" responde em alto e bom som "é muito simpático e meiguinho contigo. Farta-se de trabalhar e gosta de ajudar. Não é o renato (marido da minha irmã) que é melhor marido do que ele irá ser. Agora tens é de o tratar bem, para o manteres. Ele vai agora e tu vais depois. Ficas longe de nós, mas ficas bem"

A minha vida está a mudar drasticamente e não conseguir controlar tudo está a deixar-me muito, muito ansiosa e esquisita. Mas também me faz pensar "não é o fim do mundo. Melhores dias virão e, quando chegarem, vou aproveitá-los ao máximo, vou ser hiper mega feliz!" 

Sinto-me confiante, apesar de tanta porcaria e de tanta coisa nova, diferente e incontrolável. Por incrível que parça, não me sinto deprimida nem com vontade de desaparecer ou cenas do género. Muito pelo contrário. Vejo isto tudo como um abanão para cuidar de mim e da minha saúde. Não faço ideia de quanto peso, mas acho-me mais magra. Isso ainda deixa uma parte de mim mais segura, mas irrita-me sentir isso, pelo que me ando a esforçar por aumentar em vez de descer. Não gosto de me ver nem de me sentir tão magra. E nem posso. Como é que aguento e me concentro nas coisas que realmente importam e exigem a minha atenção? É impossível. Além disso, como é que eu quero um dia ser mãe se nem de mim consigo cuidar? Nao. Recuso-me a ser doente. Escolho a vida. Escolho ser feliz. Escolho vir a ser mãe. E escolho o meu rapaz para me ajudar a concretizar todos os meus sonhos. E é isto.













terça-feira, 16 de abril de 2013

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Depois de muitas más notícias em relação ao estado do meu irmão, eis que recebemos melhores notícias. Já recuperou a memória, já fala, já comeu uma sopa e já fez xixi. Já abriu um bocadinho do olho. Tem uma hemorragia, mas é perto do cérebro, não é mesmo lá. O maxilar não está deslocado, "apenas" partido, talvez não seja preciso cirurgia. Ainda está nos cuidados intensivos, mas o prognóstico é positivo. A minha mãe e a minha cunhada sentiram-se mal quando o viram, porque, quando não me viu presente, perguntou por mim (AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH FODA-SE, QUE FELICIDADE NO MEIO DA DESGRAÇA!!!!!!). Responderam que nao podia ir por causa da minha avó que nao podia ficar sozinha. "Ficou a cuidar da avó? e do avô também, nao?" Ao que a minha mae respondeu "oh filho, o avô faleceu...". Ele calou-se por uns momentos e de repente desata a chorar e a dizer "O AVO MORREU???". Agora à noite já dizia que afinal se lembra do funeral. Menos mal.
Amanhã vou para lisboa, vê-lo. O rapaz também vai, tem uma entrevista para ir trabalhar para a charneca da caparica (outra boa notiicia, nao haja duvida). Enviei mensagem à psiquitra a dizer que ele teve um acidente e que uma vez que ia a lisboa gostava de saber se podia falar um bocadinho com ela. Disse para a procurar no piso 4 mas que nao sabe a que horas está livre. Talvez passe por lá.

Estou electrica, creio ser por não dormir praticamente nada há dias. Ontem foi o funeral da avó do meu rapaz e foi doloroso vê-lo naquele estado. Credo.

O problema da mulher do carro em que bati já está resolvido (ganda psycho que me calhou!!!!!!), o meu rapaz tratou de tudo, sozinho. Meu querido homem.

O acidente é notícia aqui em faro, toda a gente sabe do que aconteceu. Irrita-me quando me perguntam pelo cavalo, se está bem. Sei que o animal nao tem culpa, os cabroes dos ciganos é que deviam ser torturados, mas tenho uma ligeira raiva do pobre animal.

Ele perguntou por mim.

Nao tenho dado a atençao que o meu rapaz precisa, uma vez que perdeu a avózinha. Estou a dar o meu melhor para o mimar, mas sei que devia falar mais com ele sobre a avó. Mas nem no meu avô eu consigo pensar.

o que mais tenho ouvido nestes dias:
"vocês benzam-me essa casa!!"
"não vás à bruxa, nao!!"

Fui visitar o meu avô no outro dia e ia-me dando uma coisa má. Eram só homens a abrir covas ao lado dele e eu nem la perto pude chegar "nao venha para aqui, ainda cai para dentro de uma cova!". Meu pobre avô.

Nao faço ideia de pesos e tou-me a cagar pa essa merda. Mas devo tar com um aspecto tao bonito que a madrasta do meu rapaz, no velorio da avó dele saiu-se com esta, enquanto falava com uma mulher qualquer:
"ah, ela já estava muito mal... com a doença ficou tão magrinha, tao magrinha... estava com um aspecto... (aponta na minha direcçao e diz) estava assim!" E faz um ar de tristeza/agonia. Tão fofa.

Bem, vou terminar de escrever. Quero dizer tudo, falar, falar e falar, mas nao sei o que escrever, sai-me tudo desordenado. Vou comer qualquer cena e fazer o almoço para as minhas avós amanha. Tenho de me levantar lá pás 4h30/5h para ir para lisboa. Devo-me deitar lá pás 2h, por causa do rapaz que vem dormir connosco e sai tarde do trabalho. Mais uma noite de 2/3h horas de sono.

Beijinhos.

p.s. ele perguntou por mim.





segunda-feira, 15 de abril de 2013

GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH

Na 2ª feira a avó do meu rapaz teve um avc e ficou internada.
Na sexta-feira bati com  o carro do meu rapaz num carro parado (ao sair da garagem, pimbas).
Hoje de manhã a avó dele faleceu. Fomos ao velório e viemos jantar com os meus pais. Iamos os quatro até ao velório novamente e recebemos uma chamada da minha cunhada a dizer que o meu irmão tinha tido um acidente. Fomos a fugir para o hospital. Ele ia no carro com a irmã da minha cunhada e um cavalo atravessou-se à frente, assim do nada. Ele ficou inconsciente e ela não. Ela é que parou o carro, que continuou em andamento. Ela fez uns arranhões e ele foi há minutos atrás para lisboa. Está inchado e tem os ossos da cara partidos. Por momentos pensamos que o íamos perder, mas ainda cá está. Está consciente, mas com a cara toda tapada com ligaduras. Tem um traumatismo craniano (ou la como se escreve) mas crê-se nao ser nada de grave. A minha mae recebeu uma carta porque nao estava em casa a uma determinada hora e pode ficar sem o direito à baixa. Amanha é o funeral da avó do meu rapaz e os meus pais vao para lisboa. Eu estou a tremer e a odiar esta merda toda. A minha mae sentiu-se mal quando estavamos no hospital e foi internada. Já teve alta.

Meu deus. Já chega, nao?

sábado, 6 de abril de 2013

Avô. Meu querido avô.

Esta fase má da minha vida parece ter vindo para ficar durante um boooom tempo.

O meu avô faleceu. Sempre pensei que aguentasse mais uns tempos, mais uns dias.
Os médicos tinham avisado "pode levar umas horas, uns dias... mas não vai resistir".
Mas também disseram que não voltaria a falar ou a andar e ele, apesar de muito fraquinho, lá dava uns passinhos e soltava uma ou outra palavra, como "Oh pa" ou "Tá fri" (está frio).
Também disseram que a minha mãe não iria sobreviver (umas 3 vezes) e ela ainda cá está. Nunca pensei que fosse tudo tão rápido. Nunca pensei que fosse mesmo verdade.

Eram 16h30. Eu estava no comboio, de regresso a Faro. Tinha ido a Lisboa, à consulta com a psiquiatra.
"Filhota, não vais chegar a tempo", disse-me o meu pai ao telefone.
"Pede-lhe ao ouvido para esperar por mim, pai! Por favor!".
Mas já tinha falecido. Ninguém se atreveu a me dizer a verdade porque estava sozinha no comboio e ainda tinha quase duas horas de viagem pela frente. E ainda bem que o fizeram.

Cheguei a Faro e corri para o carro do meu rapaz, que me esperava de carro ligado e porta aberta para irmos o mais depressa possível para o hospital. Minutos depois, o meu pai liga-me. "Não vás para o hospital, vai para casa". E eu soube logo.

Meu querido avô. Meu doce e querido avô. Quantas saudades tenho eu de te ouvir chamar por mim, fosse onde fosse, estivesse quem estivesse, em alto e bom som "ó gatiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinha!".
Quantas saudades tenho eu de me sentar ao teu lado às refeições, porque "este lugar é da minha gatinha". Na altura eu não gostava lá muito da ideia, porque implicavas comigo se não comesse tudo, roubavas-me a comida do prato, atiravas o guardanapo para o meu prato, beliscavas-me... Agora, quando olho para essas fotografias, em que estou ao teu lado com cara de choro, sinto saudades.
Que saudades, avô! Que saudades tenho eu tuas!

O 71º aniversário do meu querido avô.
Eu teria uns 7 e, para não variar, deveria estar chateada com o meu avô.
Reparem no ar de troça dele :P Boa coisa não me teria feito :P
A loiraça ao lado é a minha mana e deveria estar a dizer algo como "deixa a miúda e sopra as velas!"
Clicar na imagem para ampliar


Que dor eu sinto, ao pensar que nunca irás conhecer o meu ninho, os meus filhos. Que dor tão grande é pensar que não estarás mais presente, que não irás implicar com a minha casa, como implicaste com a do meu irmão. Lembras-te, avô? Foi dois dias antes de teres tido o avc. Implicaste porque a casa "tem muitas portas, perco-me" e porque a sanita estava muito fria e te gelou o rabiosque hehehehe

Oh avô... que saudades! Que dor tão grande!


Uns dos muitos natais que passámos juntos.
Eu a fazer caretas como sempre e o meu avô a tentar  manter a postura


Eu sei. É a lei da vida. É uma autentica porcaria, mas não há nada a fazer.
Prometo-te que vou gozar a minha vida ao máximo e que vou cuidar da avózinha o melhor que puder. E da tua filha também.

Avôzinho, mais uma vez, peço-te que me perdoes por não te ter dito adeus, não ter estado presente quando partiste. Amo-te e amar-te-ei até ao fim dos meus dias.
Descança em paz.

11-11-1922
28-03-2013
90 aninhos



Mais recentemente, os meus avós maternos e eu. Natal de 2010.