sábado, 6 de abril de 2013

Avô. Meu querido avô.

Esta fase má da minha vida parece ter vindo para ficar durante um boooom tempo.

O meu avô faleceu. Sempre pensei que aguentasse mais uns tempos, mais uns dias.
Os médicos tinham avisado "pode levar umas horas, uns dias... mas não vai resistir".
Mas também disseram que não voltaria a falar ou a andar e ele, apesar de muito fraquinho, lá dava uns passinhos e soltava uma ou outra palavra, como "Oh pa" ou "Tá fri" (está frio).
Também disseram que a minha mãe não iria sobreviver (umas 3 vezes) e ela ainda cá está. Nunca pensei que fosse tudo tão rápido. Nunca pensei que fosse mesmo verdade.

Eram 16h30. Eu estava no comboio, de regresso a Faro. Tinha ido a Lisboa, à consulta com a psiquiatra.
"Filhota, não vais chegar a tempo", disse-me o meu pai ao telefone.
"Pede-lhe ao ouvido para esperar por mim, pai! Por favor!".
Mas já tinha falecido. Ninguém se atreveu a me dizer a verdade porque estava sozinha no comboio e ainda tinha quase duas horas de viagem pela frente. E ainda bem que o fizeram.

Cheguei a Faro e corri para o carro do meu rapaz, que me esperava de carro ligado e porta aberta para irmos o mais depressa possível para o hospital. Minutos depois, o meu pai liga-me. "Não vás para o hospital, vai para casa". E eu soube logo.

Meu querido avô. Meu doce e querido avô. Quantas saudades tenho eu de te ouvir chamar por mim, fosse onde fosse, estivesse quem estivesse, em alto e bom som "ó gatiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinha!".
Quantas saudades tenho eu de me sentar ao teu lado às refeições, porque "este lugar é da minha gatinha". Na altura eu não gostava lá muito da ideia, porque implicavas comigo se não comesse tudo, roubavas-me a comida do prato, atiravas o guardanapo para o meu prato, beliscavas-me... Agora, quando olho para essas fotografias, em que estou ao teu lado com cara de choro, sinto saudades.
Que saudades, avô! Que saudades tenho eu tuas!

O 71º aniversário do meu querido avô.
Eu teria uns 7 e, para não variar, deveria estar chateada com o meu avô.
Reparem no ar de troça dele :P Boa coisa não me teria feito :P
A loiraça ao lado é a minha mana e deveria estar a dizer algo como "deixa a miúda e sopra as velas!"
Clicar na imagem para ampliar


Que dor eu sinto, ao pensar que nunca irás conhecer o meu ninho, os meus filhos. Que dor tão grande é pensar que não estarás mais presente, que não irás implicar com a minha casa, como implicaste com a do meu irmão. Lembras-te, avô? Foi dois dias antes de teres tido o avc. Implicaste porque a casa "tem muitas portas, perco-me" e porque a sanita estava muito fria e te gelou o rabiosque hehehehe

Oh avô... que saudades! Que dor tão grande!


Uns dos muitos natais que passámos juntos.
Eu a fazer caretas como sempre e o meu avô a tentar  manter a postura


Eu sei. É a lei da vida. É uma autentica porcaria, mas não há nada a fazer.
Prometo-te que vou gozar a minha vida ao máximo e que vou cuidar da avózinha o melhor que puder. E da tua filha também.

Avôzinho, mais uma vez, peço-te que me perdoes por não te ter dito adeus, não ter estado presente quando partiste. Amo-te e amar-te-ei até ao fim dos meus dias.
Descança em paz.

11-11-1922
28-03-2013
90 aninhos



Mais recentemente, os meus avós maternos e eu. Natal de 2010.





8 comentários:

Nortenha disse...

Sei a dor que sentes. Fez em Março 6 meses que a minha avó também faleceu.

Eu ia ao hospital vê-la e cheia de esperança que ela recuperasse. Ela tinha as mãos frias e eu pegava nelas e apertava com força para aquecê-la. A minha avozinha já não me estava a reconhecer, mas eu dava-lhe beijinhos na testa e dizia-lhe que ela ia ficar boa.

Infelizmente terminou a sua vida no hospital, aos 73 anos, após um mês internada.

O funeral foi muito triste. Ver a minha avó ali deitada, geladinha... E ver os homens baixarem o caixão para o buraco... :'(

E eu... que tantas vezes adiei "tenho de tirar uma foto com a minha avó, um dia tiro". Agora é tarde demais. Não existe nenhuma imagem em que eu esteja com ela.

Lamento a tua perda, os meus sinceros sentimentos. Esteja ele onde estiver, deve estar a olhar por ti.

Abraço grande, Inês!

Blair disse...

Lamento imenso Inês o que aconteceu. Os meus sentimentos. Adorei as fotografias e o texto foi sem duvida um dos mais bonitos que já li. Muito força linda.
Bjs <3

Be(e)Free disse...

:)
o meu tb se finou com 90 anos.
o outro foi com 75..muito cedo.

mas eles não dormem. és linda. gosto mt de ti!

Ser Saudável... Sim! disse...

Olá Pypoka.
Infelizmente também soube recentemente o que é a dor de perder um avó, aquele avó.
Acho que nestas alturas não há muito que se possa dizer.
Força.
Beijinhos

Ser Saudável... Sim! disse...

Olá Pypoka.
Infelizmente também soube recentemente o que é a dor de perder um avó, aquele avó.
Acho que nestas alturas não há muito que se possa dizer.
Força.
Beijinhos

Nortenha disse...

Passei só para te deixar um abraço bem apertado!!!! E muita força!!! Beijinhos grandes!!!

Biia ' disse...

Florzinha forças! é um momento complicado, mais vai ficar bem! se precisar estou aqui,
beijinhos s2

Ju disse...

Não consigo pôr por palavras o quanto lamento... o meu avô está com 97 e o receio que o momento dele chegue é tão grande.

Muita força!*