quinta-feira, 18 de abril de 2013

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Ontem fui a Lisboa. Após dias a dormir cerca de 4h, nessa noite nem 1h dormi. 

Fui vê-lo. Está a melhorar, saiu ontem dos cuidados intensivos. Tem dificuldades em se lembrar de coisas mais recentes, por exemplo, não se lembra/lembrava que já mora com a minha cunhada, não se lembra/lembrava que o meu avô faleceu e não se lembra do acidente. Não se lembra que a cunhada dele (13 anos) ia ao lado e chora cada vez que lho dizemos. Mas consegue fazer novas memórias, isso eu certifiquei-me. Acredito que esteja apenas confuso com tanta informação e que o cérebro está cansado e a tentar recuperar das pancadas que sofreu. É normal. 
Pergunta as horas constantemente e pede por um espelho, para ver a cara. Como é óbvio, ninguém lho dá. Passava-se de certeza. 
Ao sair, disse-lhe "gosto muito de ti, ok?", ao qual me respondeu "tá bem". Voltei a tentar: "Sabes disso, não sabes?", "sei". 

O mais ridículo no meio disto tudo é que, se o meu irmão não tivesse seguro contra todos os riscos, teria de pagar as despesas hospitalares dele e as dos outros condutores, porque uma vez que o cavalo não pode pagar, o meu irmão é um espécie de culpado pelo que aconteceu aos outro carros, porque foi ele quem bateu no cavalo. Aliás, foi o cavalo que bateu nele, mas ok. Falam também que poderá receber uma carta a pedir que pague as despesas de limpeza da via (havia pedaços de cavalo por todo o lado).
Isto é tudo tão ridiculo que não me parece que va acontecer.

O meu rapaz foi à tal entrevista, na charneca da caparica. Correu bem. Fomos ver o apartamento (incluído com o ordenado) e eu adorei. Tem uma cozinha com mesa, duas cadeiras e um sofázito; frigorifico; maquina de lavar e fogao. Sala com lareira (que ele sempre disse que adorava um dia ter); duas varandas, uma aberta outra fechada; duas casas de banho; dois quartos; uma despensa. Quarto andar, numa zona bem pacata. Está em optimo estado e eu imaginei-nos logo lá dentro "porra, que trabalheira isto me vai dar a limpar!".

Agora que isto se aproxima, o medo cresce. Estar longe da minha zona de conforto vai ser dose. Mas agora tenho de me focar na minha familia e em me mentalizar que vou estar longe dele pelo menos por 3 meses. Depois das aulas (minhas e dos explicandos), logo se vê. A mãe já disse "vais para lá e procuras trabalho e ficam por lá". É pertinho da minha irmã.

Não sei. Não sei se me vou dar bem lá, longe da minha avózinha, dos meus pais, do meu irmão, dos amigos, de tudo o que conheço. Quero muito ficar com ele, gosto cada vez mais de olhar para ele, de o abraçar, de o chatear com a saúde dele ou de implicar com o que quer que faça. Vou sentir saudades de estar com ele, de desabafar e de o animar. 

Está a acontecer tudo muito depressa, muita coisa ao mesmo tempo. Não sei o que achar disto tudo. Tentei falar com a psiquiatra, mas quando tive oportunidade de ir ter com ela, disseram-me que já tinha bazado. Pelos vistos era mentira, mas já não fui a tempo na mesma. 

Como será a minha vida daqui a 6 meses? Estarei eu a morar com ele tão longe daqui? Estarei a trabalhar também? No quê? O meu irmão estará bem? A minha avó? A minha mãe, sofrerá muito? E o meu pai, aguentar-se-á à bronca sozinho? O rapaz? Terá vontade de ficar comigo mesmo e a sério? Será que não se vai cansar de mim? E eu? Será que me irei arrepender? Não sei. Mas quero ir para onde ele for. E vou. 
ontem estava assustada e pensava "não posso ir, precisam de mim aqui!". Agora, mais calma, já penso melhor no que lhe foi oferecido e no que ele me pode dar. Não falo propriamente de dinheiro nem nessas merdas, refiro-me mais ao que me tem dado e o que tem mudado. É verdade que aquela cabeça também está toda baralhada, mas ele ouve-me e tenta seguir os meus conselhos. E isso é tudo o que lhe posso pedir. Tem-se esforçado por me manter perto dele, mas já não me sufoca. Tem controlado a glicémia. Tem ajudado a encher o NOSSO mealheiro e já comprou tamparueres para guardar para a nossa casa. 
É carinhoso e ajuda-me no que lhe peço (e não só). 

A minha avó, à pergunta "o que achas dele?" responde em alto e bom som "é muito simpático e meiguinho contigo. Farta-se de trabalhar e gosta de ajudar. Não é o renato (marido da minha irmã) que é melhor marido do que ele irá ser. Agora tens é de o tratar bem, para o manteres. Ele vai agora e tu vais depois. Ficas longe de nós, mas ficas bem"

A minha vida está a mudar drasticamente e não conseguir controlar tudo está a deixar-me muito, muito ansiosa e esquisita. Mas também me faz pensar "não é o fim do mundo. Melhores dias virão e, quando chegarem, vou aproveitá-los ao máximo, vou ser hiper mega feliz!" 

Sinto-me confiante, apesar de tanta porcaria e de tanta coisa nova, diferente e incontrolável. Por incrível que parça, não me sinto deprimida nem com vontade de desaparecer ou cenas do género. Muito pelo contrário. Vejo isto tudo como um abanão para cuidar de mim e da minha saúde. Não faço ideia de quanto peso, mas acho-me mais magra. Isso ainda deixa uma parte de mim mais segura, mas irrita-me sentir isso, pelo que me ando a esforçar por aumentar em vez de descer. Não gosto de me ver nem de me sentir tão magra. E nem posso. Como é que aguento e me concentro nas coisas que realmente importam e exigem a minha atenção? É impossível. Além disso, como é que eu quero um dia ser mãe se nem de mim consigo cuidar? Nao. Recuso-me a ser doente. Escolho a vida. Escolho ser feliz. Escolho vir a ser mãe. E escolho o meu rapaz para me ajudar a concretizar todos os meus sonhos. E é isto.













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