segunda-feira, 11 de novembro de 2013

S. Martinho

Hoje farias 91 aninhos. Certamente, eu teria feito um bolo, um pavé e uma torta de claras. A tua filha teria feito uma carne assada com castanhas e a tua esposa teria assado e cozido doses industriais de castanhas. Teríamos relembrado os teus 3 netos do teu aniversário e teríamos todos feito uma jantarada em tua casa. Tenho também a certeza que irias soprar as velas antes do tempo, esboçando um sorriso malandro. E o teu neto mais novo teria reclamado "não como esse bolo" porque terias sentido tanto entusiasmo a soprar as velas que lhe terias acrescentado uma nova decoração.

Avô. Não sei explicar as saudades que tenho tuas, não encontro palavras para descrever o que sinto. Será uma mistura entre dor e nostalgia, acredito. Dor por não te ter cá, nostalgia por relembrar o quão bom avô foste para mim. E, quando a dor aperta, é fácil transformá-la em nostalgia: fecho os olhos e tento ouvir-te chamar por mim. "Oh gatiiiiiiiiinha". E torna-se impossível não esboçar um sorriso ao relembrar o teu tom de voz e o teu sorriso maroto cada vez que me chamavas assim.
Não tenho mais palavras a acrescentar, é-me impossível transformar em palavras tudo o que sinto por ti, tudo aquilo que foste e tudo aquilo que sempre serás para mim. Neste momento, ocorre-me apenas uma palavra: amo-te. E amar-te-ei até ao fim dos meus dias.
Avô, meu querido avô.

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