terça-feira, 14 de maio de 2013

Amor, raiva e afins

Não consigo perceber como me sinto. Num só dia passo por várias fases, desde irritação, boa disposição, tristeza... isso incomoda, mas também nao é o fim do mundo.

O meu rapaz começa a trabalhar na charneca 3ª feira. Vamos para cima no sábado, festejamos o aniversário dele (domingo) lá e volto na segunda para faro. Sozinha. E isto tem-me deixado bastante assustada. Por outro lado, até pode ser bom sinal... sinal que gosto realmente dele e que quando tenho dúvidas é porque sou parva (ou não, porque toda a gente tem dúvidas).

Imaginar os meus dias sem ele é... deprimente lol farto-me de choramingar sozinha e tenho a cabeça cheia de filmes e dramas tipicamente meus. Pesadelos então, nem se fala! Neles, já fui traída mil e quinhentas vezes, de mil e quinhentas formas. Também já o matei em sonhos, acordando em baba e ranho (leia-se que sonho que morre, não que eu o mato lol).
Ora isto tem sido nestes últimos dias. Ele nem se deve ter apercebido, mas sinto uma vontade enorme de o abraçar e ser pegajosa quando estou com ele. Evito ao máximo ser chata, mas tento também saciar esta vontade maluca. Por outro lado, ele anda mais frio. Ou então eu é que estou tão carente e melosa que qualquer coisa que ele diga menos romantica eu fico toda entristecida. Não na frente dele, lá está, evito ser chata, tenho medo de ser chata e irritante.

Tenho medo. Tenho medo que ele não aguente a solidão e procure algo por fora. Esse é o meu maior medo. Tenho também medo que, uma vez longe da "chata", se esqueça de picar o dedo e dar insulina várias vezes ao dia. E que se esqueça do comprimido da manhã e do comprimido da noite. E que se esqueça de comprar fitas, porque volta e meia esquece-se e depois não pode picar o dedo. Tenho medo que se esqueça ou aborreça de pôr creme e de tratar dos pés, que são muito importantes para um diabético. Tenho medo que se sinta só e por isso gaste dinheiro em demasia, sem pensar no futuro, sem pensar em nós e na nossa casinha. Tenho medo que tente decorar a casa LOL (é um medo que não é medo... foi só para me rir um bocadinho lol)

Enfim. Tenho medo. Tenho medo porque agora finalmente percebi o quanto gosto dele e o quanto vou sentir falta da falta de romantismo :p
Não... ele é romantico, sim... só que é... homem! E eu sou uma mulher bem piegas... evito demonstrá-lo, mas sou. E isso não posso mudar.

Ainda ele aqui está e já sinto saudades. Enfim.

Anda toda a gente irritadiça, por estes lados. Não há grandes discussões, mas sente-se irritabilidade entre todos. É normal. É chato comó cacete, mas é compreensível.

Tópicos:
Estudo: Zero por cento. E começo a ficar irritada com tanta gente a mandar vir por causa disso. Farta de escola, quero trabalhar e ter a minha vida. Estou farta de estar dependente.
Peso: No outro dia passei-me com os 46.500, era suposto ter aumentado e nada. Hoje pesei-me (porque a nossa sarita perguntou se já tinha conseguido aumentar) e deu 46.100. Irritei-me ao início, depois percebi que ontem não comi bolos, nem gelados, nem nada assim muito calórico. É ridículo perder peso só porque não comi porcarias, mas ok. Os iogurtes já são de 197kcal (acabei de ver, garanto que não sabia), escolho fruta mais calórica, eu sei la.
Sim, irrito-me e preocupo-me ver o peso descer ou não subir. Porquê? Porque a ideia de gostar e querer mais é demasiado assustadora. Tenho medo de adoecer, tenho medo de voltar atrás e repetir tudo outra vez. Tenho medo de mais desgraças, sinto-me cansada de tanta porcaria. Quero ser mulher, quero ter a minha casa, decorada com o meu gosto e o do meu rapaz. Quero que tudo lá dentro seja fruto do nosso esforço, não quero mais grandiosidades vindas dos meus pais. Não quero mais que me joguem em cara tudo o que me dão, chega. A última que ouvi foi "por causa da tua doença não pude dar atenção aos meus pais... e agora o meu pai morreu". Mas não é só comigo que ela faz isso. É com toda a gente que ama. O que ainda magoa mais, certamente. Ainda no outro dia jogou em cara ao meu irmão e à minha cunhada que nunca os deveria ter ajudado a mudar de casa. Porquê? Porque eles decidiram não ter um filho que não podem sustentar (só há um ordenado e ainda estão a pagar as coisas que comprar para a casa). Os meus pais amuaram porque ELES podem sustentar o neto. Mas digam-me vocês, seriam capazes de ter um filho mas que a sobrevivência dele dependesse de outra pessoa que não vocês? Eu não sei o que faria. Mas certamente não iria gostar nada de não ter o apoio dos meus pais, tomasse eu a decisão que tomasse.

Mas isto agora não vem ao acaso. Estava eu a dizer, por outra palavras: quero sair daqui e viver com este homem que tanta saudade me faz sentir, mesmo ainda sem ter abalado...
lol se ele lêsse isto ia-me achar uma piegas desmarcada :P
naaa... ia.me abraçar, dar um beijinho bem doce e diria "parvinha... eu sou só teu... doida".
É. Decididamente, eu amo esta pessoa.






quinta-feira, 9 de maio de 2013

Tia.

A minha cunhada está grávida de 6 semanas. Ainda o meu avô estava vivo e o meu irmão não tinha tido acidente nenhum. Estão indecisos entre abortar ou não, porque as condições não são propriamente boas para ter um filho. Não foi irresponsabilidade, porque ela toma a pílula.

Quero ser tia. Mas a decisão não depende de mim. Apenas posso dar o meu apoio para qualquer das decisões que tomem.

Os meus pais estão tristes porque querem um neto.

A minha cunhada está triste porque abortar vai contra o que acredita, mas ao mesmo tempo está confusa. Cá para mim eles querem, mas estão borrados de medo. Estava nos planos deles serem pais apenas daqui a um ano.

O meu rapaz vai-se embora em menos de 15 dias.

Estou cansada de tanta coisa e de tanta importância a acontecer.

Estou mais gorda, tenho feito por isso. Mas não sei quanto, não me peso há mais de 1 semana. Não estou a fugir, apenas não calha, não me importa muito.

Quero ser tia. Quero que 2013 seja um ano bom a recordar. Já chega de desgraças...
E quero ficar aqui quietinha, não me apetece ir para cima. Ele às vezes mete-me medo... mas isso é a minha parvoíce a falar mais alto. Está na altura de crescer e enfrentar as coisas. Bah.


sexta-feira, 19 de abril de 2013

título

Depois de muitas reclamações e escandalos feitos pela minha mae e pela minha irma lá no hospital, lá conseguiram que fizessem exames ao meu irmao. Está tudo bem e está neste preciso momento a caminho do hospital de faro (porque é a area de residencia). Que alívio...............................

Começo-me a mentalizar que irei morar para a charneca e começo a ficar ansiosa pelo dia. Mas vou manter a calma e tentar fazer tudo com os pés bem assentes no chão. Preciso mesmo que a minha vida avance de uma vez por todas.

hey

Antes achava que estava em 2012, o que não é muito preocupante. Ontem, quando a enfermeira lhe perguntou em que ano estamos respondeu "prai em 94 ou 95". Os médicos começam a ficar preocupados.

Esta noite dormi mais tempo, consegui dormir 5h, a minha avó foi uma fofa e ficou a dormir até às 8h30. Ela está cá em casa comigo, não pode ficar sozinha. Dá muito trabalho, mas também me dá muitos miminhos e faz muita companhia, o que compensa perfeitamente o cansaço. De qualquer das formas, vou tentar deitar-me o mais tardar à 1h, senão ainda me dá o badagaio.

Tenho medo pelo meu mano. Não, não me esqueci. Mas vê-lo naquele estado dá-me vontade de o abraçar e pedir que me peça desculpa para que esta porcaria passe e nos demos como irmãos. Não podemos ficar sem ele. Doi demasiado pensar nisso.

Bah.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Mais novidades

Ontem fui a Lisboa. Após dias a dormir cerca de 4h, nessa noite nem 1h dormi. 

Fui vê-lo. Está a melhorar, saiu ontem dos cuidados intensivos. Tem dificuldades em se lembrar de coisas mais recentes, por exemplo, não se lembra/lembrava que já mora com a minha cunhada, não se lembra/lembrava que o meu avô faleceu e não se lembra do acidente. Não se lembra que a cunhada dele (13 anos) ia ao lado e chora cada vez que lho dizemos. Mas consegue fazer novas memórias, isso eu certifiquei-me. Acredito que esteja apenas confuso com tanta informação e que o cérebro está cansado e a tentar recuperar das pancadas que sofreu. É normal. 
Pergunta as horas constantemente e pede por um espelho, para ver a cara. Como é óbvio, ninguém lho dá. Passava-se de certeza. 
Ao sair, disse-lhe "gosto muito de ti, ok?", ao qual me respondeu "tá bem". Voltei a tentar: "Sabes disso, não sabes?", "sei". 

O mais ridículo no meio disto tudo é que, se o meu irmão não tivesse seguro contra todos os riscos, teria de pagar as despesas hospitalares dele e as dos outros condutores, porque uma vez que o cavalo não pode pagar, o meu irmão é um espécie de culpado pelo que aconteceu aos outro carros, porque foi ele quem bateu no cavalo. Aliás, foi o cavalo que bateu nele, mas ok. Falam também que poderá receber uma carta a pedir que pague as despesas de limpeza da via (havia pedaços de cavalo por todo o lado).
Isto é tudo tão ridiculo que não me parece que va acontecer.

O meu rapaz foi à tal entrevista, na charneca da caparica. Correu bem. Fomos ver o apartamento (incluído com o ordenado) e eu adorei. Tem uma cozinha com mesa, duas cadeiras e um sofázito; frigorifico; maquina de lavar e fogao. Sala com lareira (que ele sempre disse que adorava um dia ter); duas varandas, uma aberta outra fechada; duas casas de banho; dois quartos; uma despensa. Quarto andar, numa zona bem pacata. Está em optimo estado e eu imaginei-nos logo lá dentro "porra, que trabalheira isto me vai dar a limpar!".

Agora que isto se aproxima, o medo cresce. Estar longe da minha zona de conforto vai ser dose. Mas agora tenho de me focar na minha familia e em me mentalizar que vou estar longe dele pelo menos por 3 meses. Depois das aulas (minhas e dos explicandos), logo se vê. A mãe já disse "vais para lá e procuras trabalho e ficam por lá". É pertinho da minha irmã.

Não sei. Não sei se me vou dar bem lá, longe da minha avózinha, dos meus pais, do meu irmão, dos amigos, de tudo o que conheço. Quero muito ficar com ele, gosto cada vez mais de olhar para ele, de o abraçar, de o chatear com a saúde dele ou de implicar com o que quer que faça. Vou sentir saudades de estar com ele, de desabafar e de o animar. 

Está a acontecer tudo muito depressa, muita coisa ao mesmo tempo. Não sei o que achar disto tudo. Tentei falar com a psiquiatra, mas quando tive oportunidade de ir ter com ela, disseram-me que já tinha bazado. Pelos vistos era mentira, mas já não fui a tempo na mesma. 

Como será a minha vida daqui a 6 meses? Estarei eu a morar com ele tão longe daqui? Estarei a trabalhar também? No quê? O meu irmão estará bem? A minha avó? A minha mãe, sofrerá muito? E o meu pai, aguentar-se-á à bronca sozinho? O rapaz? Terá vontade de ficar comigo mesmo e a sério? Será que não se vai cansar de mim? E eu? Será que me irei arrepender? Não sei. Mas quero ir para onde ele for. E vou. 
ontem estava assustada e pensava "não posso ir, precisam de mim aqui!". Agora, mais calma, já penso melhor no que lhe foi oferecido e no que ele me pode dar. Não falo propriamente de dinheiro nem nessas merdas, refiro-me mais ao que me tem dado e o que tem mudado. É verdade que aquela cabeça também está toda baralhada, mas ele ouve-me e tenta seguir os meus conselhos. E isso é tudo o que lhe posso pedir. Tem-se esforçado por me manter perto dele, mas já não me sufoca. Tem controlado a glicémia. Tem ajudado a encher o NOSSO mealheiro e já comprou tamparueres para guardar para a nossa casa. 
É carinhoso e ajuda-me no que lhe peço (e não só). 

A minha avó, à pergunta "o que achas dele?" responde em alto e bom som "é muito simpático e meiguinho contigo. Farta-se de trabalhar e gosta de ajudar. Não é o renato (marido da minha irmã) que é melhor marido do que ele irá ser. Agora tens é de o tratar bem, para o manteres. Ele vai agora e tu vais depois. Ficas longe de nós, mas ficas bem"

A minha vida está a mudar drasticamente e não conseguir controlar tudo está a deixar-me muito, muito ansiosa e esquisita. Mas também me faz pensar "não é o fim do mundo. Melhores dias virão e, quando chegarem, vou aproveitá-los ao máximo, vou ser hiper mega feliz!" 

Sinto-me confiante, apesar de tanta porcaria e de tanta coisa nova, diferente e incontrolável. Por incrível que parça, não me sinto deprimida nem com vontade de desaparecer ou cenas do género. Muito pelo contrário. Vejo isto tudo como um abanão para cuidar de mim e da minha saúde. Não faço ideia de quanto peso, mas acho-me mais magra. Isso ainda deixa uma parte de mim mais segura, mas irrita-me sentir isso, pelo que me ando a esforçar por aumentar em vez de descer. Não gosto de me ver nem de me sentir tão magra. E nem posso. Como é que aguento e me concentro nas coisas que realmente importam e exigem a minha atenção? É impossível. Além disso, como é que eu quero um dia ser mãe se nem de mim consigo cuidar? Nao. Recuso-me a ser doente. Escolho a vida. Escolho ser feliz. Escolho vir a ser mãe. E escolho o meu rapaz para me ajudar a concretizar todos os meus sonhos. E é isto.













terça-feira, 16 de abril de 2013

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Depois de muitas más notícias em relação ao estado do meu irmão, eis que recebemos melhores notícias. Já recuperou a memória, já fala, já comeu uma sopa e já fez xixi. Já abriu um bocadinho do olho. Tem uma hemorragia, mas é perto do cérebro, não é mesmo lá. O maxilar não está deslocado, "apenas" partido, talvez não seja preciso cirurgia. Ainda está nos cuidados intensivos, mas o prognóstico é positivo. A minha mãe e a minha cunhada sentiram-se mal quando o viram, porque, quando não me viu presente, perguntou por mim (AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH FODA-SE, QUE FELICIDADE NO MEIO DA DESGRAÇA!!!!!!). Responderam que nao podia ir por causa da minha avó que nao podia ficar sozinha. "Ficou a cuidar da avó? e do avô também, nao?" Ao que a minha mae respondeu "oh filho, o avô faleceu...". Ele calou-se por uns momentos e de repente desata a chorar e a dizer "O AVO MORREU???". Agora à noite já dizia que afinal se lembra do funeral. Menos mal.
Amanhã vou para lisboa, vê-lo. O rapaz também vai, tem uma entrevista para ir trabalhar para a charneca da caparica (outra boa notiicia, nao haja duvida). Enviei mensagem à psiquitra a dizer que ele teve um acidente e que uma vez que ia a lisboa gostava de saber se podia falar um bocadinho com ela. Disse para a procurar no piso 4 mas que nao sabe a que horas está livre. Talvez passe por lá.

Estou electrica, creio ser por não dormir praticamente nada há dias. Ontem foi o funeral da avó do meu rapaz e foi doloroso vê-lo naquele estado. Credo.

O problema da mulher do carro em que bati já está resolvido (ganda psycho que me calhou!!!!!!), o meu rapaz tratou de tudo, sozinho. Meu querido homem.

O acidente é notícia aqui em faro, toda a gente sabe do que aconteceu. Irrita-me quando me perguntam pelo cavalo, se está bem. Sei que o animal nao tem culpa, os cabroes dos ciganos é que deviam ser torturados, mas tenho uma ligeira raiva do pobre animal.

Ele perguntou por mim.

Nao tenho dado a atençao que o meu rapaz precisa, uma vez que perdeu a avózinha. Estou a dar o meu melhor para o mimar, mas sei que devia falar mais com ele sobre a avó. Mas nem no meu avô eu consigo pensar.

o que mais tenho ouvido nestes dias:
"vocês benzam-me essa casa!!"
"não vás à bruxa, nao!!"

Fui visitar o meu avô no outro dia e ia-me dando uma coisa má. Eram só homens a abrir covas ao lado dele e eu nem la perto pude chegar "nao venha para aqui, ainda cai para dentro de uma cova!". Meu pobre avô.

Nao faço ideia de pesos e tou-me a cagar pa essa merda. Mas devo tar com um aspecto tao bonito que a madrasta do meu rapaz, no velorio da avó dele saiu-se com esta, enquanto falava com uma mulher qualquer:
"ah, ela já estava muito mal... com a doença ficou tão magrinha, tao magrinha... estava com um aspecto... (aponta na minha direcçao e diz) estava assim!" E faz um ar de tristeza/agonia. Tão fofa.

Bem, vou terminar de escrever. Quero dizer tudo, falar, falar e falar, mas nao sei o que escrever, sai-me tudo desordenado. Vou comer qualquer cena e fazer o almoço para as minhas avós amanha. Tenho de me levantar lá pás 4h30/5h para ir para lisboa. Devo-me deitar lá pás 2h, por causa do rapaz que vem dormir connosco e sai tarde do trabalho. Mais uma noite de 2/3h horas de sono.

Beijinhos.

p.s. ele perguntou por mim.





segunda-feira, 15 de abril de 2013

GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH

Na 2ª feira a avó do meu rapaz teve um avc e ficou internada.
Na sexta-feira bati com  o carro do meu rapaz num carro parado (ao sair da garagem, pimbas).
Hoje de manhã a avó dele faleceu. Fomos ao velório e viemos jantar com os meus pais. Iamos os quatro até ao velório novamente e recebemos uma chamada da minha cunhada a dizer que o meu irmão tinha tido um acidente. Fomos a fugir para o hospital. Ele ia no carro com a irmã da minha cunhada e um cavalo atravessou-se à frente, assim do nada. Ele ficou inconsciente e ela não. Ela é que parou o carro, que continuou em andamento. Ela fez uns arranhões e ele foi há minutos atrás para lisboa. Está inchado e tem os ossos da cara partidos. Por momentos pensamos que o íamos perder, mas ainda cá está. Está consciente, mas com a cara toda tapada com ligaduras. Tem um traumatismo craniano (ou la como se escreve) mas crê-se nao ser nada de grave. A minha mae recebeu uma carta porque nao estava em casa a uma determinada hora e pode ficar sem o direito à baixa. Amanha é o funeral da avó do meu rapaz e os meus pais vao para lisboa. Eu estou a tremer e a odiar esta merda toda. A minha mae sentiu-se mal quando estavamos no hospital e foi internada. Já teve alta.

Meu deus. Já chega, nao?

sábado, 6 de abril de 2013

Avô. Meu querido avô.

Esta fase má da minha vida parece ter vindo para ficar durante um boooom tempo.

O meu avô faleceu. Sempre pensei que aguentasse mais uns tempos, mais uns dias.
Os médicos tinham avisado "pode levar umas horas, uns dias... mas não vai resistir".
Mas também disseram que não voltaria a falar ou a andar e ele, apesar de muito fraquinho, lá dava uns passinhos e soltava uma ou outra palavra, como "Oh pa" ou "Tá fri" (está frio).
Também disseram que a minha mãe não iria sobreviver (umas 3 vezes) e ela ainda cá está. Nunca pensei que fosse tudo tão rápido. Nunca pensei que fosse mesmo verdade.

Eram 16h30. Eu estava no comboio, de regresso a Faro. Tinha ido a Lisboa, à consulta com a psiquiatra.
"Filhota, não vais chegar a tempo", disse-me o meu pai ao telefone.
"Pede-lhe ao ouvido para esperar por mim, pai! Por favor!".
Mas já tinha falecido. Ninguém se atreveu a me dizer a verdade porque estava sozinha no comboio e ainda tinha quase duas horas de viagem pela frente. E ainda bem que o fizeram.

Cheguei a Faro e corri para o carro do meu rapaz, que me esperava de carro ligado e porta aberta para irmos o mais depressa possível para o hospital. Minutos depois, o meu pai liga-me. "Não vás para o hospital, vai para casa". E eu soube logo.

Meu querido avô. Meu doce e querido avô. Quantas saudades tenho eu de te ouvir chamar por mim, fosse onde fosse, estivesse quem estivesse, em alto e bom som "ó gatiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinha!".
Quantas saudades tenho eu de me sentar ao teu lado às refeições, porque "este lugar é da minha gatinha". Na altura eu não gostava lá muito da ideia, porque implicavas comigo se não comesse tudo, roubavas-me a comida do prato, atiravas o guardanapo para o meu prato, beliscavas-me... Agora, quando olho para essas fotografias, em que estou ao teu lado com cara de choro, sinto saudades.
Que saudades, avô! Que saudades tenho eu tuas!

O 71º aniversário do meu querido avô.
Eu teria uns 7 e, para não variar, deveria estar chateada com o meu avô.
Reparem no ar de troça dele :P Boa coisa não me teria feito :P
A loiraça ao lado é a minha mana e deveria estar a dizer algo como "deixa a miúda e sopra as velas!"
Clicar na imagem para ampliar


Que dor eu sinto, ao pensar que nunca irás conhecer o meu ninho, os meus filhos. Que dor tão grande é pensar que não estarás mais presente, que não irás implicar com a minha casa, como implicaste com a do meu irmão. Lembras-te, avô? Foi dois dias antes de teres tido o avc. Implicaste porque a casa "tem muitas portas, perco-me" e porque a sanita estava muito fria e te gelou o rabiosque hehehehe

Oh avô... que saudades! Que dor tão grande!


Uns dos muitos natais que passámos juntos.
Eu a fazer caretas como sempre e o meu avô a tentar  manter a postura


Eu sei. É a lei da vida. É uma autentica porcaria, mas não há nada a fazer.
Prometo-te que vou gozar a minha vida ao máximo e que vou cuidar da avózinha o melhor que puder. E da tua filha também.

Avôzinho, mais uma vez, peço-te que me perdoes por não te ter dito adeus, não ter estado presente quando partiste. Amo-te e amar-te-ei até ao fim dos meus dias.
Descança em paz.

11-11-1922
28-03-2013
90 aninhos



Mais recentemente, os meus avós maternos e eu. Natal de 2010.





domingo, 24 de março de 2013

Dor de cotovelo é tramada

Oh pa! Volta e meia lembro-me do que li e a insegurança (típica de minha pessoa) vem à tona.

.....
Ele "Se não fosse casado, eras a minha escolha" (não sei se ria, se chore lol).
Ela "Talvez tivesses sorte" (cabra)
Ele "Nunca se sabe ou tu" (tão fofo que é)

.......

    Ela"Estou à espera que fiques solteiro para namorares comigo"


    Bem feita. Quem mandou ler o que não devias? 

    Por outro lado, se isto der para o torto, que se lixe. Também não será isso que me deitará abaixo. Cagando e andando. 

    Ah, o meu avô está no hospital outra vez, mas deve sair hoje ainda. 

    A GAJA É MUITA GIRA E EU TOU COM DOR DE COTOVELO 
    lol

    Estou a tornar-me fútil e parva (se é que já não o era)

    Bem feita!
    46.5.

    sábado, 23 de março de 2013

    Dia off

    Resolvi tirar mais um dia para mim mesma, para respirar e mimar-me. E, acreditem, faz milagres.
    O simples facto de demorar mais um pouco no banho, o escolher cuidadosamente o que vestir, o arranjar o cabelo e a pele, o reaver amigos, o comer bolachinhas com chocolate, o namorar... todas estas pequenas coisas ajudam a auto-estima a subir e a sentir-me mais preparada para uma outra semana. E sabe tão, mas tão bem voltar a ter animo para fazer seja o que for!
    Amanhã repito a dose e, certamente, terei uma semana bem mais comestível.

    Além disso, o facto de se aproximar uma semana diferente também ajuda.
    Segunda e terça, explicações, fazer comida, limpar a casa, enfim, dois dias normais. Quarta é dia de retiro, o rapaz está de folga. Quinta e sexta lisboa (consulta na 5ª). Sábado e domingo Páscoa (não sei o que significa, mas duvido que se vá para o campo).

    Os meus pais não levam a sério as explicações que dou. Interrompem com telefonemas ou simplesmente abrem a porta para perguntar "queres um hambúrguer grelhado ou frito para o almoço?". E reclamam quando reclamo com eles. Também não se apercebem que a casa tem andado minimamente apresentavel, roupa lavada e passada, comida na mesa (incluindo a dos avós, que é sempre diferente à nossa), compras de supermercado feitas... junta-se isto às explicações e tenho os dias completamente preenchidos. Mas não... eu estou apenas desempregada, sem fazer nenhum da vida. Além disso, "todo o tempo que tens disponível é para ires ter com ele". Não é suposto eu querer estar com o meu namorado?
    Tenho mesmo de sair daqui. Estou desejosa pelo meu espaço, pela minha vida. No outro dia dei por mim a pensar "quando sair daqui vou-me dedicar a ter, pelo menos, 50kgs. Cansada de ter ar de miúda".
    Dá que pensar, não?

    sexta-feira, 22 de março de 2013

    Não faço ideia do que quero.

    Hoje a balança marcou 47.5. Não sei muito bem o porquê, mas acredito que a perda de peso seja maioritariamente perda de peso (diarreias baixam peso mas não emagrecem). Além disso, folar com chocolate derretido em cima deve ter contribuído para a recuperação do peso. Não me importo. Vá, talvez um bocadinho, mas paciência.

    Tenho-me sentido irritada, ansiosa. A partir do meu aniversário passei a sentir-me muito triste (senti falta de carinho do rapaz e doeu). A coisa passou e voltei à ansiedade substituída, volta e meia, pela tristeza passageira.
    Hoje o dia foi mais calmo e consegui relaxar, reavendo a sensação de que até me sinto bem e feliz, apesar de tudo.
     No entanto, fiz algo que veio estragar tudo. Bem feita. Quem mandou meter o nariz onde não és chamada? Agora ou confrontas ou ficas quietinha. Bah. Nunca na vida pensei vir a ser ciumenta. Mas pelos vistos até sou. Não a ponto doentio, mas sou. Bah, há dias atrás estava magoada e achava que "isto não irá resultar". Agora dói saber que poderá acabar (que não há indícios, mas dói na mesma). Não estou a fazer sentido nenhum... porque tenho vergonha de admitir que li o que não devia, mexi onde não é suposto. E tenho vergonha de admitir que ele poderá ter uma na manga, tipo "just in case", e que isso me deixa com dor de cotovelo.

    Será que vou ser realmente feliz ao lado dele um dia? Será que ele gosta mesmo de mim e que quer ficar comigo? Ou será que se agarrou a mim porque está cansado de procurar e quer assentar de vez? Ou será que somos os dois assim? Não percebo o que sinto, tenho receio de tentar e não dar certo. Não percebo se será o que procuro, se sou o que ele procura. Não sei o que quero. Hoje quero muito, amanhã não quero nada, depois de amanhã estou indecisa entre uma e outra. Não sou normal...

    NÃO SEI O QUE QUERO. Aliás, sei que quero sair daqui desta casa, que quero a minha vida, as minhas coisas. Mas não sei se quero ele, se ele me quer. Sinto que sou um "melhor que nada" para ele. Mas também não sei se não será a minha cabeça de caca a fazer bosta outra vez. Sei lá. Eu não sei de nada.
    Bah. Tristinha...


    Ou então tenho medo de me "agarrar" a ele e que depois me desiluda e pimbas, coração partido. Se calhar é isso. Ou então não quero ficar com ele. Não sei... quem me dera saber o que ele sente verdadeiramente...

    lol bosta de post. Enfim.



    quarta-feira, 20 de março de 2013

    Life

    Avô já saiu do hospital, mas está acamado. Avó está num pranto. Mãe foi para o hospital mas já está em casa. Precisa de um transplante de coração mas diz que se recusa usufruir de um coração de outra pessoa. Pai esteve no hospital também, assim como o meu irmão, a minha cunhada e a minha sobrinha. Tenho estado doente e começo a ficar triste (não deprimida). Não chego aos 43kgs. Sinto-me impotente e exasuta. Mas é só uma fase.
    This too shall pass.

    domingo, 3 de março de 2013

    :)

    Nestes últimos tempos tenho sido testada, dia após dia. E de forma nada subtil. 
    A mãe, o avô, os vizinhos (idosos, depressivos, 112 a meio da madrugada), a avó (depressiva), a tia (depressiva), multas, o tempo que não dá para nada, toda a gente a explodir, querer independência mas não a poder ter já... enfim, inúmeras coisas. 
    De qualquer das formas, penso que me tenho aguentado bastante bem e não tenho intenções de deixar de o fazer (apesar de por vezes me passar o contrário pela pela cabeça). Ando fisicamente exausta, mas, apesar de tanta coisa má a acontecer, sinto-me feliz. Por vezes penso se não terei a ser egoísta, afinal, com tanta desgraça e com tanta gente infeliz, como é que eu me posso sentir feliz? Mas depois apercebo-me do descabido que é este pensamento e simplesmente permito-me sentir bem. 

    A vida não é feita apenas de arco-íris, confetis e unicórnios saltitantes. E nem sei se isso seria realmente agradável, conhecendo-me como me conheço, o mais certo seria enjoar de tanta cor muito rapidamente. Claro está que preferia que o preto não fosse tão preto ou que não permanecesse durante tanto tempo... mas isso não depende de mim. Apenas depende de mim enfrentá-lo e nunca esquecer que existem outras cores, bem mais vistosas. 
    Bem sei que é muito fácil falar, oh se sei. Mas também sei que é possível fazê-lo e que irá valer a pena. 

    Anseio tanto pela minha vida fora do ninho que nem o sei descrever. Se tenho medo? Céus, como tenho! Mas ter medo é natural. O futuro é incerto e o desconhecido assusta. Mas agarrarmos-nos ao passado apenas pelo receio do que poderá vir não me parece ser a melhor solução. 
    Muito provavelmente irei ter dias de arrependimento, em que a saudade causada pelo conforto da protecção irá sobressair. Não sou diferente dos outros, certamente. Mas tenho a certeza de que o arrependimento de ter ficado na minha zona de conforto será sempre maior. Assim sendo, está na altura de agir, de crescer de uma vez por todas e de deixar de ter medo. Aliás, não é nada disso. Ter medo é algo natural, faz parte do instinto de sobrevivência e é impossível evitá-lo. Está é na altura de enfrentar os medos, por mais assustador que isso me pareça. 

    Ah, já vos contei que tenho um grande companheiro ao meu lado? 
    Várias vezes lhe fiz/faço ver que pretendo que ele siga aquilo em que acredita, que me enfrente quando acredita estar certo e que jamais o deixarei por ele ter ideias próprias e valorizar-se. Admito-lhe que por vezes consigo ser bastante manipuladora e que ele não deve alimentar isso em mim, tal como eu não pretendo alimentar essa mesma característica dele. Para o nosso bem. 
    Claro que valorizar-se não implica necessariamente ausência de humildade ou presença de egocentrismo, mas ele não é burro e percebe isso :P 
    Acredito que as experiências que teve anteriormente o tenham assustado bastante em relação a discussões, no sentido em que "é sinónimo de separação". Mas estou a tentar que perceba que eu sou a Inês, não tenho nada a ver com as outras. 
    Costumo dar-lhe o exemplo de um terramoto. A Terra tem muita energia e essa energia tem de ser libertada para o exterior. Se ficar muito tempo sem a libertar, essa energia vai-se acumulando e acumulando e quando sai (porque tem de sair), sai toda de uma vez, provocando grandes estragos. Por outro lado, se, ao longo do tempo, existirem pequenos tremores de terra, nunca haverá acumulação extrema de energia e os estragos serão mínimos. 
    O mesmo se passa em qualquer tipo de relação, seja entre pais e filhos, seja entre amigos, seja entre casais e por aí fora. Discutir não é sinónimo de não amar. Discutir pode ser sinónimo de estar preocupado com, por exemplo. Claro que discutir demasiado também não me parece saudável, mas tudo dependo do tipo de discussões. 
    Peço-lhe com muita frequência que nunca esconda o que pensa ou sente, mesmo que ache que poderá despoletar uma discussão ou que poderei ficar chateada. Porque eu também erro e nem sempre me apercebo dos meus erros. 
    E dizer-lhe isto tem surtido efeito. Hoje, por exemplo, quando lhe estava a dizer isto mesmo ele disse "hoje não gostei do que fizeste". E dei-lhe toda a razão. Acordámos, não comi nada "como em casa, antes da explicação", mas não o fiz. Bebi café, fumei e nada de comida. São pequenas coisas (e tem a ver com comida lol) mas quero mesmo que ele nunca, jamais se deixe manipular por mim. Não quero ver o meu pai nele. Quero que ele seja verdadeiramente feliz ao meu lado, nem que isso implique uma ou outra discussão de vez em quando. Discutir pode ser saudável. Uma relação sem discussões é muito, muito duvidosa. 
    Talvez este exemplo com a comida não tenha sido o melhor, mas foi o primeiro que me ocorreu (é o mais recente). 
    Eu não preciso nem quero uma marioneta, preciso de um ser humano ao meu lado. 

    Uma última novidade. A Mariana hoje veio cá. Que saudades tinha eu daquela miúda. Trouxe-me um queijinho feito por eles com o leite das cabras deles. Pareceu-me feliz, embora tenha notado qualquer nela que me deixou de pé atrás. Mas não houve tempo para falar mais, o que me entristece. Tenho pena que ela esteja longe. Sinto-me felicíssima por ela, mas lamento o não poder aproveitar mais aquele ser maravilhoso que é. Mas faz parte da vida. Ela já voou e eu serei a próxima :)



    terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

    ahhhhhhhhh good to be back!

    Milhentas novidades. Maioritariamente negativas, mas tenho procurado dar mais valor às positivas.

    Assim por alto, o meu avô materno teve um avc e acredita-se que nao volte a andar ou falar. Não é que não tenha forças, o problema é que não sabe o que fazer com o corpo. Acredito que me tenho enganado a mim própria e vejo progressos onde provavelmente não os há. Hoje deu-me dois beijinhos. Ontem disse-me "oh pa" e "não ponhas mais aí" (estava a bezuntá-lo de creme). Os "oh pa" que manda de vez em quando talvez sejam mais como reflexo (quando faço cócegas ou quando o magoamos).
    Estamos perante a incerteza do inscrevê-lo num lar ou comprar uma cama apropriada e mantê-lo em casa. Lar é muito caro e falta carinho. Em casa não sabemos nem conseguimos cuidar dele sozinhos (pesa quase 100kgs). Além disso, a fisioterapeuta avisou-me que a minha mãe não pode fazer o mínimo de esforço físico para ajudar o meu avô "o coração está igual ou pior ainda do que o do pai com 90 anos", e sei que será impossível demovê-la. Mas a decisão não é minha, nem me devo meter nisso. Ele tem 3 filhos, eles que resolvam entre eles.

    A minha mãe está com ciúmes do rapaz e não consegue enfrentá-lo por motivos bizarros e absurdos.
    Vomita diariamente mas diz não estar doente, que apenas o faz quando está mais nervosa e que não é tão fraca como eu, "sou mais forte".

    A Filipa acha que manter-me aqui é manter-me doente. E, por mais que me custe admitir, ela tem razão. Adoro os meus pais e não tenho a menor dúvida que também me amam. Mas esta gente é toda marada da corneta e eu cá já estou farta de o ser também. Quero sair desta casa. Se sair da cidade melhor ainda. Quanto mais longe dos olhares e das críticas melhor. Cansei de tanta pressão para corresponder a um ideal de filha irrisório e doentio. Sou como sou e aceito isso. Apesar de saber que ela não sente orgulho em mim, eu sinto. Sinto orgulho não no que fiz, mas como ultrapassei tudo, como consegui sair do fundo do poço e regressar à superfície. Sinto orgulho na pessoa em que me tornei e naquilo que pretendo para mim e para os meus. Sinto um desgosto enorme por saber que a minha própria mãe não consegue em mim o que agora vejo, mas não irei mais deixar que isso me puxe de novo para o degredo de vida.
    Continuo a achar que não sou nada atraente e que tenho um feitio tramado de se aturar quando estou com os azeites. Mas também sei que quando amo sou capaz de tudo. Sei também que sou inteligente (mesmo tendo surtos de burrice de vez em quando) e generosa. Por vezes sou casmurra que nem uma mula, mas sei admitir e pedir perdão quando erro (ou pelo menos quando tenho consciência que errei).

    Sei que ter adoecido trouxe muito sofrimento para muita gente, nomeadamente os meus pais, mas também sei que eles terão contribuído para que isso acontecesse. Não culpabilizo ninguém por ser maluca, mas também já não desculpabilizo. E já não admito que me joguem em cara o sofrimento que causei. Já enfrento a minha mãe, de quem toda a gente tem medo. Não têm sido dias nada fáceis, ela tem formas de manipular de bradar aos céus, mas já as consigo identificar (pelo menos algumas) e reagir.

    Além disso, tenho um belo de um homem ao meu lado. O futuro que tenho criado na minha cabeça para nós os dois faz-me ter forças para superar isto tudo e querer sair daqui para fora. Não quero mais dramas, não quero mais doenças nem manipulações. Amo verdadeiramente os meus pais e jamais os abandonarei. Mas deixar de viver a minha vida para alimentar ilusões, medos e, consequentemente, parvoíces mentais (doença soa mal) de AMBOS os meus progenitores, nunca mais. Chegou a altura de seguir em frente, de abandonar o ninho. Com o tempo verão que afinal não me parto e que não sou tão fraca como isso. Toca a fazer sacrifícios e juntar todos os tostões, trabalhar onde houver emprego (provavelmente apenas no inferno da empresa da família) e depois sair daqui e ser feliz.

    Anseio que passem 1, 2, 3 anos a fugir. Sorrio quando penso como e com quem estarei nessa altura.
    Por hoje é tudo. O meu homem espera-me. Beijos a todos, e força. Muita força.

    p.s. têm sido dias caóticos e de tirar qualquer um do sério lol
    p.s.s. mantenho-me na casa dos 47kgs há meses. Andando quase sempre perto dos 48, mas nunca lá chego (47.8; 47.6...o que a filipa acha interessante, praticamente lá, mas ainda não consigo)
    p.s.s.s cada dia que passa o que sinto pelo rapaz aumenta... isto é mesmo muito lamechas, mas é o que sinto. Ele tem-me feito mesmo muito bem.

    :)

    terça-feira, 29 de janeiro de 2013

    mãe (again)

    Sinto-me triste. Mais uma vez.

    A minha mãe passou o dia enfiada na cama. Levantou-se de manha cerca de uma hora. O mesmo aconteceu à tarde. Sinto que está a ficar verdadeiramente deprimida e não sei o que fazer. Sinto-me impotente e isso deixa-me em pânico. O que posso eu fazer? O que queria eu quando estava assim? Desaparecer. Nada me fazia ter vontade de viver. Deve ser isso que ela sente neste momento. E pensar que ela sente isso despedaça-me o coração. Porque é que não consigo fazê-la sentir-se melhor? Porque é que eu própria não sou razão para ela querer viver? Eu sei que a culpa não é minha, tal como não era dela quando a merda da depressão me atacou.

    "Falhei em tudo na minha vida. Falhei com o teu irmão, falhei contigo, falhei com todos vocês."

    O que é que eu posso fazer????
    Não me ir abaixo é o melhor, eu sei. Mas não é o suficiente. O que é que se faz nestes casos? Ela a mim gritava, batia-me, arrancava-me à força da cama, ligava à minha psicóloga, internava-me nas urgências, arranjava forma de eu estar sempre vigiada, jamais podia estar sozinha, virava o quarto do avesso para encontrar comida, lâminas, comprimidos ou papéis onde escrevia o que me ia cá dentro.

    Mas eu não posso fazer nada disso. Porque ela é minha mãe e não aceita que eu "mande" nela.
    Sinto que ela própria nos pede para a controlarmos, apesar de reclamar (como eu também fazia). Hoje, por exemplo, disse-lhe "vá, já chega de cama. Levanta-te e vem lanchar para tomares o comprimido. Vá! Imediatamente!" E ela veio. A reclamar, mas veio. Se eu lhe pedir com jeitinho, não vem. Por vontade própria então nem se fala.

    Ela não pode passar pelo que passei... simplesmente não pode. Não ela, não a minha mãe.
    O que é que eu faço?????????????????????????????????????
    Tenho acordado a meio da noite com a cara lavada em lágrimas. Sonho que alguém me conta que ela morre ou então vejo-me a tentar reanimá-la. God, que dramatica sou lol.

    Ah. Ela não quer fazer a operação nem os exames. "Não tenho estrutura emocional para aguentar isto". Acredito que minta aos médicos, dizendo-lhe que se sente cansada, para que continuem a adiar os exames (que não podem ser feitos enquanto não se sentir melhor). Tenho vontade de agarrar nela, enfiá-la numa maca amarrada e dizer: "Não tens outro remédio. O pai vai para Angola mas não te vai abandonar. Aceita isso de uma vez por todas, caralho!!!!!!!" (eu acho que tudo isto é a forma de ela dizer ao meu pai "preciso de ti, não vás!!").

    Enfim. Amanhã tenho exame. Estive a ver conversas (facebook) do pessoal de psicologia. Está tudo em pânico porque o professor disse que não ia facilitar minimamente no exame de recurso. Não vou passar, não  me esforcei o suficiente. Paciência. Isso é o menor dos males.

    O estupor e a minha mãe estão seriamente amuados. Cabrão de merda. Está-se a lixar para se ela respira ou não e ainda tenta piorar a coisa.
    A minha irmã está longe, não percebeu ainda a gravidade da coisa.
    A minha tia está-se a lixar para a irmã e deixou os meus avós a cargo dela. Isto sem falar no meu tio.
    Só eu e o meu pai. Só nós os dois podemos ajudar a minha mãe. Como é que eu não sei. O coitado do homem anda também irritadiço. Vê-se no tom de voz e na forma como trata os cães. Isto vai ser lindo quando ele for para Angola. Oh se vai. Vai ser simplesmente perfeito.

    pa papo-seco com manteiga; 3 fatias de queijo
    almoço esparguete com atum e molho de tomate; iogurte
    lanche 1:  iogurte
    lanche 2: meio snickers. 1 embalagem de gomas.
    Jantar: Não sei se vá comer. A mãe já jantou (yeah, right) e o pai vem tarde (vou sim, apetece-me é fazer birrinha aqui entre nós só para me armar em miúda mimada, mesmo)

    Ontem comi melhor. Sopa e legumas e tal. Hoje que se lixe.





    mãe

    Ontem não foi à consulta porque se aborreceu. "Os médicos devem achar que não tenho mais nada para fazer!"
    Ou sou eu a imaginar coisas, ou então ela anda a vomitar outra vez.
    Passa a maior parte do dia na cama, a dormir.

    Começo a ficar mais calma, a lidar melhor com isto tudo. Eu não consigo fazer mais nada, não lhe posso abrir a boca e enfiar os medicamentos lá para dentro; não a posso proibir de comer o que quer; não a posso obrigar a ir às consultas. Ela é minha mãe e não o contrário. O que posso fazer é demonstrar o meu desagrado e preocupações e fazê-la sentir que não está sozinha. Mais nada. E começo a aceitar isso. Custa mesmo muito, mas que posso eu fazer mais? Além disso, a melhor prenda que lhe posso dar é estar bem mentalmente. É nisso que me tenho de concentrar, é isso que me ajudará a ajudá-la. E é nisso mesmo que estou concentrada. Já que preciso da tal sensação de controlo, vou virá-la para o controlar a minha doença, as minhas neuras. É isso que tenho feito e é assim que vou continuar.

    Cada dia que passa sinto-me mais segura e solta perto do meu rapaz. Começo a sentir uma sensação estranha quando está a trabalhar lol Ele tem os defeitos dele, como toda a gente. Mas eu também tenho os meus que não são, de todo, poucos. Gosto mesmo, mesmo, mesmo dele :)

    Já percebo a matéria do exame de amanhã. Agora só falta sabê-la loooooooool

    A partir de 5ª feira, já vou andar mais calma ainda. Acaba-se o exame, posso dedicar-me às explicações, à mãe (e pai, claro), ao rapaz, aos avós, ao miguel, à sara, à mana, à sobrinha... credo, já me estou a stressar lol
    Relax. Respira fundo. Tu consegues, maria inês :)

    segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

    pa- 1 chávena de café com leite (açúcar incluído); 1 papo-seco com manteiga; 3 fatias de queijo
    Almoço: Umas 3 ou 4 colheres de arroz; 1 bife (grande) cebolada; 1 iogurte; 1 maçã
    Lanche: 2 fatias pão com manteiga e um bocado de queijo da vaca que ri; 1 chávena de café com leite (açúcar incluído)
    Jantar: 3 fatias de pão com manteiga; 3 fatias de queijo; 2 fatias fiambre; 1 chávena café com leite (açúcar incluído)

    Nada, mesmo nada saudável, mas é domingo e o domingo costuma ser sinónimo de descanso da cozinha. Muito, muito pouco para o que tenho comido, mas hoje sinto esquisita, não tenho fome nenhuma e sinto-me um bocado enjoada (pudera, com tanta sandes e café com leite!). Nem as bolachas cá de casa me chamam à atenção. Blhec

    Começo a sentir-me menos ansiosa. O rapaz tem ajudado imenso.
    O estudo está melhor, mas o que sei ainda não dá para passar. Vejamos como corre.
    Agora vou ter com o meu homem, que acabou de chegar para o beijinho de boa noite (adoro!)
     :)

    Boa semana!
    **

    sábado, 26 de janeiro de 2013

    hey

    Ando stressada porque não tenho tempo para estudar. Quando finalmente tenho tempo, aborrece-me  portanto deito-me no sofá a ver tv (coisa que raramente faço) e a comer 3 chocolates mars (que não aprecio muito e tinha comprado para as bolas verdes do meu explicando mais novo).

    Ontem comprei 3 pares de calças. Umas 36 e duas 34. Acho ridiculo o quão magras estão as minhas pernas, tendo em consideração o que tenho comido.

    Como o mesmo ou mais ainda que o rapaz. Note-se que ele tem praí 1.80m e eu 1.62m. Ele já vai admitindo que como praticamente o mesmo que ele, só que alimento-me como se não houvesse amanhã (ou seja, devoro tudo em escassos minutos) enquanto ele leva "uma eternidade". Daí parecer que eu como pouco e que ele come muito. "É por isso que não engordas".

    Concordo com ele. Não necessariamente por achar que, se começar a comer devagar, aumento de peso, mas sim porque sei que quando conseguir comer mais lentamente será sinónimo de que ando mais calma, logo o meu corpo relaxa e não consome tudo o que devoro. Por outro lado, não vai pedir tanta comida. O que não faz sentido... assim mantenho na mesma, nao?

    Bem, paciência. Acho estranho comer mais do que há uns anos atrás e estar mais magra. Mas faz sentido.
    Não faço ideia de quanto peso, a última vez (consulta) tinha 47.2. Nunca mais me pesei, a pilha da balança morreu e nunca mais me lembrei de ir comprar uma (huuuuuuuuuuuuuuuuuuuum... esqueceste-te... claro, claro). De qualquer das formas, não me acho gorda, o que é muito bom.

    O estupor e a namorada vão-se juntar. Não percebi se  é já este mês que vem ou não. Por um lado fico muito contente (quanto menos tempo e menos coisas dele por cá, melhor). Por outro fico com alguma revolta (ele não merece ser independente primeiro que ele). Mas fico maioritariamente contente. Além de tudo, ele é meu irmão. E eu tenho saudades dele. Mas isso não faz dele menos cabrão, logo ainda estou à espera de uma oportunidade (ou duas, ou três) para poder gritar, bater, espernear e tudo o que me apetecer à frente dele, para me certificar que sofre e que está arrependido. Enquanto isso não acontecer, enquanto ele não mostrar maturidade (lol) sinto-me no direito de uns dias estar bem com ele (e até meter conversa, se me apetecer) e noutros simplesmente ignorá-lo e até magoá-lo um pouco. Tenho todo o direito e ninguém me convence do contrário (nem ninguém tenta, sinceramente...)

    Bem, vou beber água, tomar banho e stressar porque agora é hora de tar com o rapaz e não estudei nada ainda.

    kiss kiss


    sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

    Afinal tive 4 valores, em vez de 3

    O prof enviou um e-mail a pedir desculpas mas que se tinha enganado. Afinal tive 4 valores em vez de 3. Eu já nem sei o k dizer, a sério..........................

    segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

    Nega

    Chumbei, claro. Já estava à espera. O que me revolta é que o cabrão do espanhol acha realmente que uma cadeira de caca daquelas deve ser mais exigente do que outras em que envolve a vida das pessoas. Organizações... QUE SE FODAM AS EMPRESAS!!! PSICOLOGIA, MEU CARO!!!! É SUPOSTO ISTO SER UMA CADEIRA QUE AJUDE A SUBIR A MÉDIA, E NAO QUE NOS FAÇA NAO TERMINAR O CURSO!!!

    Sabem qual foi a média das notas???
    5.35
    Em 28 alunos, a média nem chega a 6 valores. Houve quem tivesse zero. Eu tive 3. Sinceramente.... Resultados piores que em estatística, o cadeirão do curso. Ou avaliação psicológica, que também é lixada comó cacete. Nem nessas duas houve tão más notas. E vem este espanhol do cacete, escrever exames que nem se podem considerar escritos em português e acha que devemos dar prioridade à cadeira dele, que é uma merda para esta licenciatura. Sinceramente... QUE TE CAIAM OS COLHÕES!

    Vou chumbar. Vou à época de setembro e vou chumbar novamente. Vou ficar sem licenciatura por uma cadeira de merda, por causa de um cabrão de merda que nem escrever ou falar português sabe. E tenho de engolir o sapo. Cabrão.